Algumas pessoas me procuraram para saber a razão do fim das atualizações do Blog Operário Verde. Em respeito à elas e aos demais seguidores, vou explicar.
Desde 2007 tento convencer as autoridades de que a presença da fábrica em Saramenha, tão próxima das casas, escolas, centro histórico e áreas de preservação ambiental, é nociva. Foram vários expedientes administrativos e judiciais para explicar o óbvio: a enorme quantidade de pó branco, os odores, a convivência próxima com produtos químicos perigosos, os barulhos, enfim, toda sorte de incômodos reais experimentados diariamente pelos moradores da Vila Operária é suficiente para que o Poder Público tenha maior cuidado e rigor na fiscalização do empreendimento.
Neste período, acionei Prefeitura, Câmara Municipal, Governo do Estado, Ministérios Públicos Estadual e Federal, IBAMA, além de pelo menos duas ações judiciais junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Porém, nenhum desses órgãos assumiu verdadeiramente o caso, mantendo-se encurralados pelo "efeito econômico-social" da fábrica. Ou seja, ainda que em off sinalizassem a existência do problema, nos processos formais adotavam postura covarde sob o argumento da prudência e tecnicidade.
Obtive alguns ganhos, é verdade, como a alteração do local de movimentação do carvão coque na antiga fábrica de pasta, a destinação correta de áreas contaminadas, a instalação de estação de monitoramento do ar na Vila Operária, atuação firme e colaborativa na questão das "terras da Novelis", abertura do diálogo entre a fábrica e os moradores locais, estímulo de estudos acadêmicos, entre vários outros, mas nenhum capaz de extinguir os incômodos e medos que a presença do empreendimento traz à comunidade local.
Fato é que os poderes executivos e legislativos das três esferas optaram pela invisibilidade, os Ministérios Públicos pela tecnocracia e indolência, o Judiciário por conter a repercussão quantitativa de ações semelhantes e, em especial, meus pares ouropretanos, pelo conforto diante de uma situação socioambiental consolidada.
Assim, em que pese acreditar em tudo que defendi desde o início deste Blog, sou obrigado a reconhecer que perdi. Não há mais espaço para discussões, movimentos e processos. A fábrica venceu, como sempre ocorre com os detentores do capital.
Ao menos, se um dia minhas projeções se concretizarem e eu sobreviver ao caos, poderei apontar nominalmente as mãos sujas de sangue das autoridades que ao longo dos últimos anos se omitiram deliberadamente.
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