De onde vem todo o pó branco que cai sobre as nossas cabeças na Vila Operária? as seguintes fotos, tiradas em 17/08/2014 da fábrica de alumina e hidratos da empresa Hindalco do Brasil Ltda (do grupo Aditya Birla) nos dão boas pistas!
"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)
domingo, 17 de agosto de 2014
A volta do carvão a céu aberto na entrada da Vila Operária
Caros leitores,
Em 11 de dezembro de 2012 recebi da empresa Novelis do Brasil Ltda (do grupo Aditya Birla) uma Notificação Judicial para que eu retirasse do ar este singelo blog. Relatei o episódio na seguinte postagem: www.operarioverde.blogspot.com.br/2012/12/o-que-e-mais-facil-calar-quem-questiona.html
Dentre as muitas coisas escritas pela empresa naquela Notificação, os itens 1.32 e 1.33 às fls. 07 referiram-se à descarga de carvão coque no pátio existente logo no início da Av. Lima Júnior (Volta do Vento), bem em frente a Escola Municipal Tomás Antônio Gonzaga e a entrada para a Vila Operária. Vejam o texto em destaque:
Para quem não conseguir ler diretamente na imagem transcrevo:
"1.32. O Notificante também insinua o suposto descarregamento de carretas de carvão e piche próximo à entrada da Vila Operária e à Escola Municipal Tomás Antônio Gonzaga.
1.33. Novamente razão não assiste ao Sr. André Lana, visto que, por iniciativa da empresa, a descarga de coque não é mais realizada no aludido local, tendo sido transferida para outra área coberta dentro da fábrica. Além disso, os odores desprendidos dos tanques de transporte de piche foram eliminados em razão da colocação de um filtro na saída de gases durante a descarga das carretas."
Diga-se de passagem jamais publiquei algo aqui no "Operário Verde" sobre o descarregamento do carvão naquele local. Eu havia questionado tal fato diretamente à empresa antes de criar o blog, mas como houve, de fato, uma mudança naquela época, resolvi não trazer tal discussão para o blog.
Contudo, vejam só, desde a reativação da fábrica de alumina pela empresa Hindalco do Brasil Ltda (do mesmo grupo Aditya Birla), a movimentação de carvão em tal pátio foi restabelecida. Segundo relatos, o local onde estava sendo recebido o carvão dentro da fábrica está sendo utilizado agora pela Hindalco, o que obrigou a Novelis a voltar a usar o velho pátio a céu aberto. Não mais em carretas, como antes, mas em bags. As fotos abaixo foram tiradas hoje, dia 17/08/2014, um dia que começou com uma leve chuva:
Certamente esse carvão voltará (como já voltou) a lançar uma intensa camada de pó preto sobre as casas da Vila Operária e sobre a Escola Tomás Antônio Gonzaga. Ainda mais por estar assim, descoberto e passível de ventos.
Vale lembrar que quando do processo de licenciamento ambiental da fábrica em 2012 o assunto foi tratado pelos analistas, como pode ser visto no Parecer Único SUPRAM CM nº. 313/2012, que pode ser lido clicando AQUI.
Teria sido a mudança anterior uma mera "maquiagem" durante o licenciamento ambiental? o pátio voltará a receber carretas como era feito antes? o pó preto e fétido voltará a ser uma constante em nossas vidas? enfim, perguntas (como várias outras sobre a fábrica) que permanecem sem respostas.
E só para relembrar, seguem duas fotos tiradas em 10/08/2011:
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Promotor de Justiça de Ouro Preto: Não permita o avanço da mineração próxima a Lavras Novas
Contribuindo com outra causa ambiental, divulgo o link para uma petição pública que pretende impedir o avanço a mineração sobre terras próximas ao distrito de Lavras Novas.
Clique aqui e assine: https://secure.avaaz.org/po/petition/Promotor_de_Justica_de_Ouro_Preto_Nao_permita_o_avanco_da_Mineracao_proxima_a_Lavras_Novas_Ouro_Preto_MG/?dpFZDdb
Clique aqui e assine: https://secure.avaaz.org/po/petition/Promotor_de_Justica_de_Ouro_Preto_Nao_permita_o_avanco_da_Mineracao_proxima_a_Lavras_Novas_Ouro_Preto_MG/?dpFZDdb
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
sábado, 9 de agosto de 2014
Em 16 anos, poluição do ar pode matar até 256 mil em SP, aponta estudo da USP
"A poluição atmosférica pode matar até 256 mil pessoas nos próximos 16
anos no Estado [de São Paulo]. Nesse período, a concentração de material particulado no
ar ainda provocará a internação de 1 milhão de pessoas, e um gasto
público estimado em mais de R$ 1,5 bilhão, de acordo com projeção
inédita do Instituto Saúde e Sustentabilidade, realizada por
pesquisadores da USP. A estimativa prevê que ao menos 25% das mortes, ou 59 mil, ocorram na capital paulista. [...]"
Para ler a matéria completa, publicada no "Uol Notícias" em 09/08/14, clique AQUI.
Enquanto morador da Vila Operária e vítima constante de poluição atmosférica, eu gostaria muito de ver um estudo desse tipo tendo a nossa realidade como cenário. Qual seria o resultado? há tempos estamos insistindo sem sucesso com os órgãos de controle ambiental sobre a necessidade de um estudo epidemiológico em Saramenha. Quem sabe um dia acontece...
Para ler a matéria completa, publicada no "Uol Notícias" em 09/08/14, clique AQUI.
Enquanto morador da Vila Operária e vítima constante de poluição atmosférica, eu gostaria muito de ver um estudo desse tipo tendo a nossa realidade como cenário. Qual seria o resultado? há tempos estamos insistindo sem sucesso com os órgãos de controle ambiental sobre a necessidade de um estudo epidemiológico em Saramenha. Quem sabe um dia acontece...
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Alumínio: exposição humana e efeitos à saúde
As principais vias de exposição humana ao alumínio (Al) são oral e
inalatória. A ingestão de alimentos contendo o metal, especialmente aqueles contendo compostos
de Al usados como aditivos em alimentos, representa a principal via de exposição para
a população geral, excluindo as pessoas que usam regularmente antiácidos e
analgésicos tamponados contendo alumínio. Existe pouca indicação de que o alumínio é tóxico
por via oral na exposição por curto prazo, apesar de sua ampla ocorrência em alimentos, água potável e muitas fórmulas antiácidas.
Estudos apontam que a utilização de utensílios e recipientes de alumínio pode aumentar a quantidade do metal nos alimentos. Porém, há controvérsia sobre o risco envolvido nessa prática, pois muitos trabalhos consideram esse aumento não significativo do ponto de vista biológico.
Estudos epidemiológicos sugerem uma possível associação entre Mal de Alzheimer e alumínio na água, como um fator de risco para o desenvolvimento ou aceleração da doença, entretanto outros estudos não confirmam esta associação. Tais estudos não apresentaram informações da ingestão de Al via alimentos e como as concentrações do metal afetam a associação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está reavaliando as informações quanto a presença de alumínio na água potável e possível risco à saúde humana. Pesquisadores acreditam que a doença resulta mais da combinação de diferentes fatores do que de uma causa só para a maioria dos indivíduos.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica a produção de alumínio no Grupo 1 (cancerígena para o ser humano), como redução eletrolítica da alumina para Al e processos de fundição de Al em lingotes, devido aos casos de câncer de pulmão e bexiga entre trabalhadores envolvidos nestes processos.
Estudos apontam que a utilização de utensílios e recipientes de alumínio pode aumentar a quantidade do metal nos alimentos. Porém, há controvérsia sobre o risco envolvido nessa prática, pois muitos trabalhos consideram esse aumento não significativo do ponto de vista biológico.
Estudos epidemiológicos sugerem uma possível associação entre Mal de Alzheimer e alumínio na água, como um fator de risco para o desenvolvimento ou aceleração da doença, entretanto outros estudos não confirmam esta associação. Tais estudos não apresentaram informações da ingestão de Al via alimentos e como as concentrações do metal afetam a associação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está reavaliando as informações quanto a presença de alumínio na água potável e possível risco à saúde humana. Pesquisadores acreditam que a doença resulta mais da combinação de diferentes fatores do que de uma causa só para a maioria dos indivíduos.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica a produção de alumínio no Grupo 1 (cancerígena para o ser humano), como redução eletrolítica da alumina para Al e processos de fundição de Al em lingotes, devido aos casos de câncer de pulmão e bexiga entre trabalhadores envolvidos nestes processos.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Estudo indica que indústria do alumínio no Brasil prejudica saúde pública
Matéria publicada em 12 de setembro de 2013 no Portal "Terra" na internet. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/ciencia/estudo-indica-que-industria-do-aluminio-no-brasil-prejudica-saude-publica,818ec69932f01410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
Instituto Evandro Chagas estuda impactos da produção do metal em Barcarena, Pará, há 4 anos. Relatório em fase de conclusão aponta a degradação ambiental e contaminação da água como principais problemas.
A exploração de alumínio se tornou um problema de saúde pública no município de Barcarena, no interior do estado do Pará. A cidade, de 120 mil habitantes, concentra a maior refinaria do metal do mundo. Toda a movimentação em torno da atividade industrial seria responsável por problemas ambientais, sociais e trabalhistas. A qualidade da água nas áreas do entorno das atividades industriais foram reprovadas em mais de 90% dos casos por fatores de controle químico ou microbiológicos. Esta é uma das principais constatações do relatório parcial feito pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), ligado ao Ministério da Saúde. Os resultados finais só devem ser divulgados em outubro.
O órgão recebe denúncias desde 2001. Com um volume grande de reclamações dos impactos ambientais, o IEC passou a avaliar as denúncias do despejo de efluentes do processo de beneficiamento da bauxita nos igarapés da região em 2007. Em junho daquele ano, a bacia de deposição de resíduos de uma das empresas se rompeu e o problema foi amplificado. Foi então que o instituo elaborou um projeto em saúde e meio ambiente para avaliar os impactos mais a fundo. O programa, iniciado em 2008 duraria quatro anos, com previsão de encerramento até final de 2013. Nesse meio tempo, outro incidente ambiental foi registrado: um vazamento de efluentes alcalinos atingiu o rio Murucupi em 2009.
"O mais grave é a forma de relação e atuação das empresas, que poderiam ter muito mais respeito com o meio ambiente e os seres humanos que residem naquela região. Associado a isso, temos a clara omissão do poder público", aponta o pesquisador da Seção de Meio Ambiente do IEC, Marcelo Lima. "Diante disso, temos uma população que observa sua condição de qualidade de vida gradativamente piorar, agravados por tantos impactos ambientais", conclui.
Contaminação e desenvolvimento
O município é um dos mais afetados no Brasil com a produção industrial do metal. As etapas de produção deixam marcas na terra, na água e no ar, além da pele, olhos, pulmões e na vida dos trabalhadores e moradores próximos às fábricas de alumínio. Dos 120 mil moradores de Barcarena, 7.000 mil trabalham nas duas empresas do setor na cidade.
O caso já foi levado à Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Edmilson Rodrigues. Ele afirma que o problema não atinge apenas os trabalhadores envolvidos na cadeia do alumínio, mas toda a comunidade do entorno, com a poluição e contaminação do solo. Segundo ele, a poluição é tão intensa que chega a deixar amarelados os azulejos brancos das casas próximas às empresas, por conta da quantidade de ferro.
"É um caso de saúde pública. Está comprovado o grau de incidência de doenças pulmonares e degenerativas por conta da poluição. Nem os trabalhadores nem os moradores estão imunes. É grande o número de pessoas com câncer provocado pela contaminação das águas, do solo ou pela poluição", aponta Rodrigues.
A denúncia foi comprovada por um dos estudos do IEC. No entanto, o instituto quer iniciar estudos mais específicos sobre a qualidade do ar na região. "Para isso, pretendemos adquirir tecnologias que sejam suficientes para a mensuração de parâmetros que possam ser indicativos do atual estágio da qualidade do ar", complementou o pesquisador Marcelo Lima.
A Superintendência Regional do Trabalho do Pará reconhece que a produção do alumínio é fruto de um processo agressivo. Mas alega infraestrutura limitada para aumentar o trabalho de fiscalização. São apenas dez fiscais para atender a todo o estado do Pará.
"É grave porque os trabalhadores ficam desassistidos. Nunca teremos uma condição de atender a todos. Mas temos de potencializar esforços. A situação está aquém do mínimo necessário", reconhece Edna Lucia Alves Ferreira da Rocha, auditora fiscal do trabalho chefe do setor de segurança e saúde da Superintendência Regional do Trabalho do Pará.
Situação dos trabalhadores
O alumínio é a principal fonte de economia local e uma importante commoditie nacional. O Brasil é o 4º maior produtor mundial de bauxita (matéria-prima para a produção de alumínio) e detentor da 3º reserva mineral; é o 3º maior produtor mundial de alumina.
A Associação Brasileira de Alumínio estima que cerca de 500 empresas atuem diretamente na indústria do alumínio no Brasil. Desse total, cinco empresas são produtoras de alumínio primário, as demais atuam nas outras etapas da cadeia produtiva – mineração, refinaria, transformação, reciclagem e produção de ligas.
A produção industrial de alumínio e alumina em Barcarena se concentra em duas empresas, a Albrás e Alunorte, respectivamente. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do município, na Albrás há quadro reduzido de trabalhadores, desde que a empresa passou o controle de capital estrangeiro para estatal norueguesa.
"A empresa já teve na década de 1980 mais de 2 mil funcionários, hoje tem 1,2 mil funcionários, com uma produção 100% maior. A gente questiona muito a situação social, a responsabilidade das empresas com a região. Não há compromisso", pondera o presidente do sindicato, Josenildo Vilhena.
Segundo ele, os trabalhadores sofrem uma pressão muito grande por produtividade e atingimento de metas. A Albrás é a 8ª maior fábrica de alumínio do mundo, e a Alunorte, a maior planta internacional de alumina. "O impacto ambiental é forte porque explora bauxita. Para se produzir 100 milhões de toneladas de alumina tem que gerar na natureza mais de 12 milhões de toneladas de bauxita. É muita terra revirada, lençol freático agredido, uma agressão imensa", analisa.
Vilhena fala que a dívida social é "impagável". "Existe o impacto, ele tá ai há mais de 20 anos, mas nós precisamos transformar esse alumínio em outros produtos. Pra gente desenvolver a região de forma sustentável", conclui.
Caso já foi estudado
O médico Hermano Albuquerque de Castro, hoje diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, estudou o caso dos impactos da produção de alumínio em Barcarena há quase dez anos. O levantamento apontou que o processo é muito penoso para os trabalhadores e a população.
"Barcarena praticamente vive dessa indústria e é um dos municípios muito contaminados por esse processo de produção. Não só Barcarena, mas na própria trajetória do metal há contaminação de rios pela bauxita", lembra Castro. Ele reafirma a gravidade da questão ambiental e aponta ainda outra questão ligada à saúde: "O alumínio é considerado uma substância carcinogênica (causadora de câncer) pelos órgãos internacionais".
Posicionamento das empresas
A refinaria de alumina Hydro Alunorte e a fábrica de alumínio Albras rebatem as críticas e afirmam cumprir todas as normas de responsabilidade social, qualidade dos produtos, saúde, segurança e meio ambiente. As empresas garantem que a reportam mensalmente a performance ambiental à Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará, responsável pelo licenciamento e fiscalização das atividades industriais no Estado. Para gerenciar as emissões atmosféricas, ambas as unidades alegam ter equipamentos de tratamento.
As empresas reconhecem que em 2009 houve um incidente ambiental devido a uma forte e incomum chuva que incidiu na região. Parte do material na superfície do depósito de resíduos sólidos teria sido arrastada pelas águas pluviais e atingiu o rio Murucupi.
Após o incidente, a Alunorte diz ter aumentado a capacidade do sistema de tratamento de efluentes, incluindo uma bacia de contenção ainda maior. Em relação à contaminação da água potável, as empresas alegam que o estudo do Instituto Evandro Chagas indica que o problema é desencadeado pelo descarte de esgoto nos rios, e não devido às atividades industriais.
As empresas consideram injusta a acusação de que "só reagem quando estão sob pressão." Tanto a Hydro Alunorte quanto a Albras asseguram ter equipes específicas trabalhando com as comunidades de Barcarena, além de realizar investimentos sociais com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos habitantes.
Instituto Evandro Chagas estuda impactos da produção do metal em Barcarena, Pará, há 4 anos. Relatório em fase de conclusão aponta a degradação ambiental e contaminação da água como principais problemas.
A exploração de alumínio se tornou um problema de saúde pública no município de Barcarena, no interior do estado do Pará. A cidade, de 120 mil habitantes, concentra a maior refinaria do metal do mundo. Toda a movimentação em torno da atividade industrial seria responsável por problemas ambientais, sociais e trabalhistas. A qualidade da água nas áreas do entorno das atividades industriais foram reprovadas em mais de 90% dos casos por fatores de controle químico ou microbiológicos. Esta é uma das principais constatações do relatório parcial feito pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), ligado ao Ministério da Saúde. Os resultados finais só devem ser divulgados em outubro.
O órgão recebe denúncias desde 2001. Com um volume grande de reclamações dos impactos ambientais, o IEC passou a avaliar as denúncias do despejo de efluentes do processo de beneficiamento da bauxita nos igarapés da região em 2007. Em junho daquele ano, a bacia de deposição de resíduos de uma das empresas se rompeu e o problema foi amplificado. Foi então que o instituo elaborou um projeto em saúde e meio ambiente para avaliar os impactos mais a fundo. O programa, iniciado em 2008 duraria quatro anos, com previsão de encerramento até final de 2013. Nesse meio tempo, outro incidente ambiental foi registrado: um vazamento de efluentes alcalinos atingiu o rio Murucupi em 2009.
"O mais grave é a forma de relação e atuação das empresas, que poderiam ter muito mais respeito com o meio ambiente e os seres humanos que residem naquela região. Associado a isso, temos a clara omissão do poder público", aponta o pesquisador da Seção de Meio Ambiente do IEC, Marcelo Lima. "Diante disso, temos uma população que observa sua condição de qualidade de vida gradativamente piorar, agravados por tantos impactos ambientais", conclui.
Contaminação e desenvolvimento
O município é um dos mais afetados no Brasil com a produção industrial do metal. As etapas de produção deixam marcas na terra, na água e no ar, além da pele, olhos, pulmões e na vida dos trabalhadores e moradores próximos às fábricas de alumínio. Dos 120 mil moradores de Barcarena, 7.000 mil trabalham nas duas empresas do setor na cidade.
O caso já foi levado à Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Edmilson Rodrigues. Ele afirma que o problema não atinge apenas os trabalhadores envolvidos na cadeia do alumínio, mas toda a comunidade do entorno, com a poluição e contaminação do solo. Segundo ele, a poluição é tão intensa que chega a deixar amarelados os azulejos brancos das casas próximas às empresas, por conta da quantidade de ferro.
"É um caso de saúde pública. Está comprovado o grau de incidência de doenças pulmonares e degenerativas por conta da poluição. Nem os trabalhadores nem os moradores estão imunes. É grande o número de pessoas com câncer provocado pela contaminação das águas, do solo ou pela poluição", aponta Rodrigues.
A denúncia foi comprovada por um dos estudos do IEC. No entanto, o instituto quer iniciar estudos mais específicos sobre a qualidade do ar na região. "Para isso, pretendemos adquirir tecnologias que sejam suficientes para a mensuração de parâmetros que possam ser indicativos do atual estágio da qualidade do ar", complementou o pesquisador Marcelo Lima.
A Superintendência Regional do Trabalho do Pará reconhece que a produção do alumínio é fruto de um processo agressivo. Mas alega infraestrutura limitada para aumentar o trabalho de fiscalização. São apenas dez fiscais para atender a todo o estado do Pará.
"É grave porque os trabalhadores ficam desassistidos. Nunca teremos uma condição de atender a todos. Mas temos de potencializar esforços. A situação está aquém do mínimo necessário", reconhece Edna Lucia Alves Ferreira da Rocha, auditora fiscal do trabalho chefe do setor de segurança e saúde da Superintendência Regional do Trabalho do Pará.
Situação dos trabalhadores
O alumínio é a principal fonte de economia local e uma importante commoditie nacional. O Brasil é o 4º maior produtor mundial de bauxita (matéria-prima para a produção de alumínio) e detentor da 3º reserva mineral; é o 3º maior produtor mundial de alumina.
A Associação Brasileira de Alumínio estima que cerca de 500 empresas atuem diretamente na indústria do alumínio no Brasil. Desse total, cinco empresas são produtoras de alumínio primário, as demais atuam nas outras etapas da cadeia produtiva – mineração, refinaria, transformação, reciclagem e produção de ligas.
A produção industrial de alumínio e alumina em Barcarena se concentra em duas empresas, a Albrás e Alunorte, respectivamente. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do município, na Albrás há quadro reduzido de trabalhadores, desde que a empresa passou o controle de capital estrangeiro para estatal norueguesa.
"A empresa já teve na década de 1980 mais de 2 mil funcionários, hoje tem 1,2 mil funcionários, com uma produção 100% maior. A gente questiona muito a situação social, a responsabilidade das empresas com a região. Não há compromisso", pondera o presidente do sindicato, Josenildo Vilhena.
Segundo ele, os trabalhadores sofrem uma pressão muito grande por produtividade e atingimento de metas. A Albrás é a 8ª maior fábrica de alumínio do mundo, e a Alunorte, a maior planta internacional de alumina. "O impacto ambiental é forte porque explora bauxita. Para se produzir 100 milhões de toneladas de alumina tem que gerar na natureza mais de 12 milhões de toneladas de bauxita. É muita terra revirada, lençol freático agredido, uma agressão imensa", analisa.
Vilhena fala que a dívida social é "impagável". "Existe o impacto, ele tá ai há mais de 20 anos, mas nós precisamos transformar esse alumínio em outros produtos. Pra gente desenvolver a região de forma sustentável", conclui.
Caso já foi estudado
O médico Hermano Albuquerque de Castro, hoje diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, estudou o caso dos impactos da produção de alumínio em Barcarena há quase dez anos. O levantamento apontou que o processo é muito penoso para os trabalhadores e a população.
"Barcarena praticamente vive dessa indústria e é um dos municípios muito contaminados por esse processo de produção. Não só Barcarena, mas na própria trajetória do metal há contaminação de rios pela bauxita", lembra Castro. Ele reafirma a gravidade da questão ambiental e aponta ainda outra questão ligada à saúde: "O alumínio é considerado uma substância carcinogênica (causadora de câncer) pelos órgãos internacionais".
Posicionamento das empresas
A refinaria de alumina Hydro Alunorte e a fábrica de alumínio Albras rebatem as críticas e afirmam cumprir todas as normas de responsabilidade social, qualidade dos produtos, saúde, segurança e meio ambiente. As empresas garantem que a reportam mensalmente a performance ambiental à Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará, responsável pelo licenciamento e fiscalização das atividades industriais no Estado. Para gerenciar as emissões atmosféricas, ambas as unidades alegam ter equipamentos de tratamento.
As empresas reconhecem que em 2009 houve um incidente ambiental devido a uma forte e incomum chuva que incidiu na região. Parte do material na superfície do depósito de resíduos sólidos teria sido arrastada pelas águas pluviais e atingiu o rio Murucupi.
Após o incidente, a Alunorte diz ter aumentado a capacidade do sistema de tratamento de efluentes, incluindo uma bacia de contenção ainda maior. Em relação à contaminação da água potável, as empresas alegam que o estudo do Instituto Evandro Chagas indica que o problema é desencadeado pelo descarte de esgoto nos rios, e não devido às atividades industriais.
As empresas consideram injusta a acusação de que "só reagem quando estão sob pressão." Tanto a Hydro Alunorte quanto a Albras asseguram ter equipes específicas trabalhando com as comunidades de Barcarena, além de realizar investimentos sociais com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos habitantes.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Hindalco investe em fábrica em MG para disputar mercado de químicos
Com informações de "Ecofinanças", em 18/07/2014. Disponível em: http://www.ecofinancas.com/noticias/hindalco-investe-fabrica-mg-para-disputar-mercado-quimicos_cimm
Em uma unidade comprada da Novelis, em Ouro Preto (MG), a indiana Hindalco começou no ano passado a montar uma indústria química para produzir hidratos e aluminas especiais. Com investimento previsto em R$ 120 milhões em até três anos, a empresa tem o objetivo de produzir 145 mil toneladas anuais, volume significativo para brigar em um mercado em que atuam hoje empresas como Alcoa e Votorantim Metais.
A Hindalco já opera indiretamente no Brasil com a Novelis, sua subsidiária em laminação de alumínio. Com a fábrica mineira, dá início as suas operações no país com a marca "mãe", por meio de sua controlada criada para o novo projeto, a Hindalco Brasil .
A unidade em Ouro Preto já produziu alumina no passado e estava fechada desde 2009. Foi comprada em 2013, após dois anos de estudos do grupo indiano. "Começamos a ver que a fábrica tem um tamanho adequado para produzirmos aluminas especiais", diz Eli Murilo Araújo, diretor executivo da Hindalco Brasil . Em agosto do ano passado, a Hindalco começou a ligar as máquinas e, até agora, investiu R$ 30 milhões em adaptações, com ajustes de processos para dar ritmo à produção.
O objetivo da Hindalco é produzir hidratos e aluminas especiais tanto para o mercado local como para exportação. Em até três anos, a empresa planeja finalizar os investimentos previstos no desenvolvimento dos produtos e levar a fábrica a sua plena capacidade. "O ritmo de aceleração da produção vai depender tanto da demanda do mercado como dos projetos que a Hindalco pretende desenvolver", diz Araújo.
Os hidratos são comprados principalmente por empresas de tratamento de água. Já as aluminas especiais - derivadas dos hidratos - são mais vendidas para as indústrias de refratários, catalisadores, isoladores e automotiva (para velas de veículos).
Apesar de também serem obtidos a partir da bauxita, os hidratos e aluminas especiais são diferentes da alumina metalúrgica, que origina o alumínio. A produção não é eletrointensiva e é feita exclusivamente por processos químicos. Segundo Araújo, a bauxita utilizada pela Hindalco é trazida de uma mina que está a 120 km de Ouro Preto, em Santa Bárbara (MG), cujos direitos minerários são da empresa indiana.
Neste ano, a Hindalco já poderá produzir 90 mil toneladas, segundo Araújo, que devem ser vendidas principalmente ao mercado interno. Quando chegar às 145 mil toneladas ao ano, o plano é destinar 70%, cerca de 100 mil toneladas, para os clientes locais e o restante para países latino-americanos, como Chile e Uruguai, e de outras regiões.
Com esses volumes, a empresa deve provocar um grande impacto no mercado local. No ano passado, a produção brasileira de alumina para uso não metalúrgico somou 187,9 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O volume é pouco menos do dobro do volume que a Hindalco quer vender no Brasil . Além de Alcoa e Votorantim Metais, que têm produção local, empresas, como Eti, Alteo e Almatis importam o produto no país.
Controlada pelo conglomerado Aditya Birla, sediado em Mumbai, a Hindalco também produz aluminas especiais na Índia.
Em uma unidade comprada da Novelis, em Ouro Preto (MG), a indiana Hindalco começou no ano passado a montar uma indústria química para produzir hidratos e aluminas especiais. Com investimento previsto em R$ 120 milhões em até três anos, a empresa tem o objetivo de produzir 145 mil toneladas anuais, volume significativo para brigar em um mercado em que atuam hoje empresas como Alcoa e Votorantim Metais.
A Hindalco já opera indiretamente no Brasil com a Novelis, sua subsidiária em laminação de alumínio. Com a fábrica mineira, dá início as suas operações no país com a marca "mãe", por meio de sua controlada criada para o novo projeto, a Hindalco Brasil .
A unidade em Ouro Preto já produziu alumina no passado e estava fechada desde 2009. Foi comprada em 2013, após dois anos de estudos do grupo indiano. "Começamos a ver que a fábrica tem um tamanho adequado para produzirmos aluminas especiais", diz Eli Murilo Araújo, diretor executivo da Hindalco Brasil . Em agosto do ano passado, a Hindalco começou a ligar as máquinas e, até agora, investiu R$ 30 milhões em adaptações, com ajustes de processos para dar ritmo à produção.
O objetivo da Hindalco é produzir hidratos e aluminas especiais tanto para o mercado local como para exportação. Em até três anos, a empresa planeja finalizar os investimentos previstos no desenvolvimento dos produtos e levar a fábrica a sua plena capacidade. "O ritmo de aceleração da produção vai depender tanto da demanda do mercado como dos projetos que a Hindalco pretende desenvolver", diz Araújo.
Os hidratos são comprados principalmente por empresas de tratamento de água. Já as aluminas especiais - derivadas dos hidratos - são mais vendidas para as indústrias de refratários, catalisadores, isoladores e automotiva (para velas de veículos).
Apesar de também serem obtidos a partir da bauxita, os hidratos e aluminas especiais são diferentes da alumina metalúrgica, que origina o alumínio. A produção não é eletrointensiva e é feita exclusivamente por processos químicos. Segundo Araújo, a bauxita utilizada pela Hindalco é trazida de uma mina que está a 120 km de Ouro Preto, em Santa Bárbara (MG), cujos direitos minerários são da empresa indiana.
Neste ano, a Hindalco já poderá produzir 90 mil toneladas, segundo Araújo, que devem ser vendidas principalmente ao mercado interno. Quando chegar às 145 mil toneladas ao ano, o plano é destinar 70%, cerca de 100 mil toneladas, para os clientes locais e o restante para países latino-americanos, como Chile e Uruguai, e de outras regiões.
Com esses volumes, a empresa deve provocar um grande impacto no mercado local. No ano passado, a produção brasileira de alumina para uso não metalúrgico somou 187,9 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O volume é pouco menos do dobro do volume que a Hindalco quer vender no Brasil . Além de Alcoa e Votorantim Metais, que têm produção local, empresas, como Eti, Alteo e Almatis importam o produto no país.
Controlada pelo conglomerado Aditya Birla, sediado em Mumbai, a Hindalco também produz aluminas especiais na Índia.
Assinar:
Postagens (Atom)

.jpg)
.jpg)




