"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A onda ruim de demissões na indústria do alumínio pelo país

O fechamento da metalúrgica de alumínio primário em Ouro Preto/MG, apesar das suas especificidades com relação ao atraso tecnológico, não é um movimento isolado. Outras empresas estão tomando a mesma decisão Brasil afora. Conforme vínhamos alertando nos últimos anos, o mercado dava sinais de crise no setor, motivando as nossas preocupações com o futuro de Saramenha. A questão não era mais "se", mas "quando" e "como". Vejam abaixo matéria publicada em 30/03/2015 no portal de notícias G1, das organizações Globo.


30/03/2015 16h02 - Atualizado em 31/03/2015 16h05


Consórcio do Maranhão confirmou a demissão de 650 funcionários.
Planta de alumina não será afetada e continuará operando normalmente.

Do G1 MA

O Consórcio de Alumínios do Maranhão (Alumar-Alcoa) confirmou, nesta segunda-feira (30), que suspenderá a produção remanescente de 74 mil toneladas métricas de alumínio da Alumar, em São Luís (MA). De acordo com o sindicato dos metalúrgicos, mais 150 funcionários serão demitidos com a decisão.

Em nota ao G1, a empresa afirmou que os elevados custos operacionais tornaram a produção de metal inviável na capital. Ela assegura que planta de alumina não será afetada e continuará operando normalmente. Confirmou ainda a demissão dos 650 funcionários, embora tenha destacado ações para reduzir o impacto desta decisão.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís (Sindmetal), José Maria Araújo, havia revelado, anteriormente, que 650 funcionários que trabalhavam nesse setor foram desligados da empresa também nesta segunda. 

O sindicato afirma que a empresa vem divulgando os melhores resultados, premiações e pesquisas, como o lucro líquido de US$ 432 milhões de dólares no último trimestre de 2014.

Uma reunião para discutir o assunto está agendada para esta quarta-feira (1º) e terá a participação de representantes do sindicato e da empresa. O presidente sindical José Maria Araújo disse que os trabalhadores lutarão pela garantia de emprego, melhores salários, além de benefícios para aqueles que serão demitidos retroativos à data-base (1° de março).

Em nota também ao G1, o governo do estado do Maranhão lamentou o anúncio feito pelo Consórcio de Alumínios do Maranhão (Alumar-Alcoa).

Leia a nota na íntegra:

"O Governo do Maranhão lamenta o anúncio feito pela Alumar de que desativará a terceira linha de produção de alumínio no Estado, com a consequente redução de 650 postos de trabalho. Em 2014, a Alumar reduziu sua capacidade de produção em duas oportunidades, nos meses de maio e outubro. Portanto, a decisão, sob a justificativa de reduzir custos e da falta de competitividade do preço de alumínio no mercado, reitera a lamentável política adotada pela empresa nos últimos anos, quando dois terços das linhas de produção no Maranhão foram desativadas.

Ainda este ano, o governador Flávio Dino, o vice-governador Carlos Brandão e o secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, realizaram audiências com a direção da empresa, para discutir as perspectivas de investimentos no Estado. Em nenhum momento, os dirigentes da multinacional informaram ao governo sobre a intenção de adotarem a drástica decisão, que fere os interesses do Estado e da nossa população. O governador Flávio Dino determinou aos secretários Simplício Araújo (Indústria e Comércio) e Julião Amin (Trabalho e Economia Solidária) imediata interlocução junto à empresa, visando assegurar responsabilidade social e alternativas para minimizar os danos causados."

Demissões em 2014

Em março do ano passado, a empresa havia anunciado a demissão de 500 trabalhadores alegando altos custos no preço da energia e outros gastos. Em maio, a Justiça do Trabalho determinou a suspensão imediata da demissão coletiva sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Segundo o sindicato, mesmo assim, foram demitidos 333 empregados.

Leia a nota na íntegra do Consórcio de Alumínios do Maranhão :

"A Alcoa, líder na produção de metais leves, anunciou hoje que suspenderá a produção remanescente de 74 mil toneladas métricas de alumínio da Alumar, em São Luís (MA). A decisão está alinhada com o recente anúncio da companhia de avaliar possíveis reduções, fechamentos ou vendas em sua capacidade de produtos primários para otimizar ainda mais o portfólio de commodities. A expectativa é de que este ajuste seja concluído até 15 de abril próximo.

“Continuamos a tomar medidas decisivas para criar um negócio competitivo em nível global baseados em uma revisão da nossa capacidade nos negócios de produtos primários”, declarou Bob Wilt, presidente Global do Grupo de Produtos Primários da Alcoa. “São decisões difíceis, mas necessárias, para apoiar a estratégia da Alcoa de reduzir a base de custos dos nossos negócios de commodities.”

Essa suspensão dá continuidade à redução de 85 mil toneladas métricas nas operações de São Luís realizada em maio de 2014, e mais 12 mil toneladas métricas implementadas em outubro de 2014. As condições desafiadoras do mercado global e os elevados custos operacionais tornaram a produção de metal inviável. A planta de alumina não será afetada e continuará operando normalmente.

“Nós sabemos como esta decisão afeta profundamente nossos funcionários, empresas contratadas e nossas comunidades”, afirmou José A. Drummond, presidente da Alcoa América Latina. “Nossas equipes trabalharam arduamente para tornar as operações competitivas. Manteremos o diálogo com nossos funcionários, o sindicato e a comunidade para minimizar o impacto dessa decisão. Continuaremos empenhados em atingir as condições de competitividade necessárias para a produção de alumínio na região.”

Esta suspensão está alinhada com o anúncio da Alcoa, de 6 de março de 2015, de avaliar 500 mil toneladas métricas de capacidade de produção de alumínio e 2,8 milhões de toneladas métricas de alumina, com vistas a possíveis reduções, fechamentos ou vendas. Com o ajuste na linha de produção de São Luís, a Alcoa deixará de produzir aproximadamente 740 mil toneladas métricas anuais, o equivalente a 21% de sua capacidade de produção de metal.

Como resultado do anúncio de hoje, a Alcoa arcará no primeiro trimestre com encargos de reestruturação estimados entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões, após os impostos, ou US$ 0,01 por ação.

Ao suspender as operações de alumínio e de alumina de alto custo, a Alcoa avança em seu objetivo de reduzir sua posição ao 38º percentil da curva de custo mundial da produção de alumínio, e a de alumina ao 21º percentil, até 2016."

domingo, 1 de março de 2015

O futuro do Operário Verde nas mãos da Justiça

O blog Operário Verde está no ar desde março de 2012 levando às pessoas informações e opiniões sobre os impactos socioambientais da produção de alumínio e alunina em Saramenha, sobretudo o impacto negativo do declínio da produção industrial no nosso bairro. Neste sentido, afirmamos desde o início que o fechamento da unidade da Novelis em Ouro Preto era uma questão de tempo, algo previsível, e que deveríamos impedir que o natural sucateamento da fábrica (ante à falta de investimentos) agravasse a poluição e seus efeitos sobre as nossas vidas (vizinhos e trabalhadores). Diante do iminente "fim de feira", era preciso lutar pela qualidade do nosso meio ambiente.

Não era uma questão de prever o futuro, mas de analisar sistematicamente as notícias, boatos, fatos e estudos sobre o assunto. O blog fez apenas o que qualquer cidadão poderia fazer: reuniu todas as informações sobre o mercado mundial e a fábrica de alumínio aqui instalada desde a década de 1940. Mais ainda, criou paralelos e comparações com outras situações semelhantes mundo afora, demonstrando que os processos que envolvem o fechamento de uma unidade industrial são sempre muito parecidos e invariavelmente nocivos às comunidades vizinhas.

Com o mesmo objetivo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Julião e a Associação Comunitária da Vila Operária colocaram-se em defesa da população ouropretana. Vários cidadãos também o fizeram individualmente. Infelizmente o mesmo não foi feito pelo poder público, que simplesmente se omitiu e não teve capacidade de perceber as transformações que estavam ocorrendo. Todos esses fatos podem ser vistos nas postagens que o Operário Verde fez nos últimos anos denunciando todas as ações e omissões que de alguma forma poderiam prejudicar ou prejudicaram o povo. Criou-se aqui, naturalmente, um registro histórico de tudo que vivemos.

Atualmente, diante das conquistas e das diversas intervenções mitigadoras conquistadas junto aos órgãos ambientais e de defesa dos direitos dos trabalhadores, resta evidente que desde o início estávamos certos. A fábrica fechou como era previsto, mas como teria sido sem as resistências criadas por nós? Como seria se este modesto blog não tivesse rompido o intencional silêncio da imprensa ouropretana sobre o assunto? como teria sido sem os alertas que levamos à Câmara Municipal e às demais autoridades? Certamente teria sido muito pior para a nossa cidade, em especial para a nossa Saramenha.

Agora o cenário mudou. Não discutimos mais a produção de alumínio. Passamos a pensar no futuro das instalações deixadas pela fábrica, na Hindalco que continua suas operações, na dinâmica urbanística do nosso bairro, enfim, continuaremos discutindo e pensando os impactos socioambientais na nossa região!

Esse relato faz-se necessário porque a continuidade do blog Operário Verde será decidida nos próximos dias pelo Poder Judiciário. Poucos sabem, pois nunca publicamos nada sobre o assunto, mas ocorre que desde 2013 a empresa Novelis do Brasil está processando o cidadão responsável pelo blog. O objetivo da empresa é tirar o blog do ar e receber uma indenização por supostos danos morais (que jamais foram comprovados). A antecipação de tutela requerida pela empresa foi negada. O mesmo com relação ao recurso de Agravo levado pela Novelis ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Agora é a vez do julgamento ser feito pela Justiça de 1ª instância de Ouro Preto. Estamos confiantes de que venceremos mais uma vez, pois jamais publicamos ofensas ou mentiras. Muitas de nossas postagens são contestadas pela empresa, mas isso é absolutamente normal, haja vista que ninguém quer ver suas falhas apontadas. As divergências existem e sempre existirão. Nunca criamos qualquer dano ou embaraço à empresa, apenas exercemos com determinação os direitos que nos são garantidos pela Constituição Federal.

Jamais cedemos às pressões psicológicas que sofremos e vamos aguardar e aceitar com tranquilidade a Decisão que vier da Justiça, pois acreditamos que somente o Poder Judiciário pode exercer controle sobre as nossas publicações.  Lamentavelmente a empresa nunca postou nenhum comentário no blog ou nos enviou notas para publicação. Ao invés do diálogo, quis apenas nos silenciar, nos censurar, nos controlar, e isso não podemos aceitar.

Para encerrar esta postagem, que pode ser a última, copio abaixo um trecho do voto do Desembargador Amorim Siqueira, relator do Agravo de Instrumento da Novelis que foi desprovido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (nº. 1.0461.13.002629-1/001):


"A medida pleiteada implicaria em retirar da internet as publicações contendo o nome da empresa agravante, em verdadeira censura do conteúdo das publicações no site em questão, previamente à decisão final da lide. Tal censura equivaleria a esvaziar de forma absoluta o direito fundamental à liberdade de expressão.


Lado outro, manter no ar o blog não causa, data venia, dano de igual proporção à honra objetiva da empresa agravada. Isto porque, em ambiente democrático de livre expressão, em que está presente a realidade da internet, possibilitando o ativismo social, incumbe à pessoa jurídica conviver com ao menos um mínimo de propaganda negativa."


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Reforma na antiga Redução II e estudo vocacional em andamento: pensando o futuro de Saramenha

O blog Operário Verde recebeu nesta semana por whatsapp as fotos abaixo que mostram um pouco do processo de substituição do piso do galpão da antiga Redução II da Alcan/Novelis. Segundo nos informou o Sr. Roberto Wagner, Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Julião, essa obra é parte de um acordo firmado entre eles, a Novelis e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Governo Federal para transformar o local em um parque industrial para atrair novas empresas. No mesmo acordo está previsto um estudo vocacional da cidade para subsidiar os novos empreendimento. Essa é uma excelente notícia para Saramenha, fruto da luta dos trabalhadores. Se isto de fato ocorrer poderemos ter na nossa região empresas que gerem empregos e renda de forma limpa e segura, dando àquelas instalações um futuro promissor. 






segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A LUTA POR MORADIA EM OURO PRETO E AS TERRAS "DA NOVELIS"

Texto e fotos extraídos do perfil do Wanderley Kuruzu Rossi Jr. no Facebook:
https://www.facebook.com/kuruzuop/posts/917152491636923:0


A LUTA POR MORADIA EM OURO PRETO E AS TERRAS "DA NOVELIS"
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Continua a luta por moradia, planejamento urbano e regularização fundiária em Ouro Preto.
A próxima reunião será na última quinta-feira de fevereiro (26), às 19h, no Plenário Sebastião Francisco da Câmara. Quem puder ajudar a divulgar, o Movimento agradece !

 Uma luta que, em Ouro Preto, começou em 2004 (bem antes do programa Minha Casa, Minha Vida, lançado em 2009). Muitas reuniões, manifestações, ocupações, negociações e importantes conquistas. Cerca de 400 famílias atendidas até aqui --entre construções e reformas. Pessoas que não tinham casas e outras que perderam as suas em áreas de risco. Muitos ainda na expectativa.
Quais são as áreas de expansão da cidade ? As pessoas vão continuar sendo empurradas para construir nas áreas de risco ? Loteamentos sem nenhum planejamento ?
O "Movimento Ouro Preto de Luta por Moradia" está estudando a situação das terras "da Novelis/Alcan" (será que são dela mesmo ? ). Há fortes indícios de grilagem. E as doações feitas pelo Município para a empresa podem estar nulas por desvio de finalidade. As terras foram doadas para gerar empregos, mas, recentemente, a Novelis fechou as portas.
E as terras da antiga Febem, na entrada da cidade, dos dois lados do asfalto ?
Terrenos bons sendo especuladas e o povo empurrado para as áreas de risco.
Tem também a pressão imobiliária sobre o Centro Histórico, estimulando descaracterizações do Patrimônio Cultural da Humanidade. Sem áreas de expansão adequadas e planejadas, a classe média se vê induzida a ampliar e fazer outras adaptações nas casas coloniais, além de edificar onde não poderia.
Outro aspecto que merece ser destacado é que a cidade é formada de uma região central --localizada em um vale--, cercada de montanhas cheias de áreas de elevado grau de risco. Além de haver no seu entorno 3 grandes áreas de preservação permanente (o conjunto formado pelo Parque Natural da Cachoeira da Andorinhas e pelo Parque Arqueológico do Morro da Queimada, o Parque do Itacolomi e a Estação Ecológica do Tripuí).
Obs. 1: Inicialmente, uma comissão de 15 pessoas está trabalhando na organização da referida reunião (próximo dia 26 --última quinta deste mês--, às 19h, no plenário Sebastião Francisco da Câmara). Se vc tb puder ajudar, entre em contato ! Ajude a divulgar ! O "Movimento Ouro Preto de Luta por Moradia" agradece mais uma vez !
Obs. 2: Falta falar, ainda, dos passivos ambientais da Novelis.
***
Olha que interessantes as palavras abaixo, da professora Ermínia Maricato !
"Porque a história do registro de propriedades no Brasil é uma história de fraudes. Eu desagradei muita gente, mas falo isso o tempo todo. A história da propriedade privada no Brasil é uma história de fraudes sistemáticas. Não é que você tenha uma fraude ou outra. É regra de novo. O Ariovaldo Umbelino mostrou em uma de suas palestras (ele é um geógrafo competente, se aposentou da USP) um anúncio de venda de uma propriedade de 40 mil hectares, no qual a grande vantagem que oferecia era uma escritura de 4 mil hectares. Porque a cerca anda. Então ter uma escritura já é uma maravilha. E a cerca anda no Brasil. Então o que me impressionou na tese do Joaquim de Brito, esse meu aluno, é que o governo não tem nenhum interesse em cancelar registros que se revelam falsos." (Ermínia Maricato).
http://novo.fpabramo.org.br/…/erminia-maricato-os-prisionei…
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UM POUCO DE HISTÓRIA DA LUTA EM O.PRETO (situações precaríssimas)
http://falaouropreto.blogspot.com.br/…/questao-da-moradia-e…
VIVENDO EM ELEVADO GRAU DE RISCO. (Álbum do início de 2013).
https://www.facebook.com/kuruzuop/media_set…
SITUAÇÃO EM CACHOEIRA DO CAMPO.
https://www.facebook.com/kuruzuop/media_set…
103 CASAS ENTREGUES - FINAL DO ANO PASSADO (falta ligar água/luz)
http://www.jornaloliberal.net/…/promova-moradia-e-renda-en…/
OUTRAS ENTREGUES EM ANTÔNIO PEREIRA (tb falta ligar água/luz)
http://www.jornaloliberal.net/…/moradores-de-antonio-perei…/
***
CONTAMOS MUITO COM SUA AJUDA NA DIVULGAÇÃO ! COMPARTILHE ! MANDE MENSAGEM PRIVADA ! MARQUE ALGUÉM QUE POSSA SE INTERESSAR ! O MOVIMENTO AGRADECE ! A LUTA É DE TODOS !
APAREÇA NA PRÓXIMA REUNIÃO (ÚLTIMA QUINTA-FEIRA DE FEVEREIRO, 26), ÀS 19H, NA CÂMARA !
 


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Uma esperança ambiental: homem é condenado por crimes contra a Mata Atlântica no nordeste de Minas

Meio Ambiente, 30/01/2015
Fonte: Coordenadoria Regional de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri
A Justiça de Novo Cruzeiro julgou parcialmente procedente a denúncia ofertada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e condenou um homem, considerado um dos maiores articuladores de crimes ambientais no nordeste do estado, a cumprir a pena de seis anos, cinco meses e 17 dias de restrição de liberdade, além do pagamento de multa.

Segundo os promotores de Justiça Felipe Faria de Oliveira, coordenador regional das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri, e Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma), a denúncia criminal está inserida no espectro de atuações estratégicas do Ministério Público em defesa do bioma Mata Atlântica, e que abrangem desde ações civis e termos de compromisso com o escopo de recuperar e preservar a vegetação nativa, bem como medidas repressivas em detrimento de agentes que degradam o bioma.

O acusado foi denunciado pela prática de inúmeros crimes ambientais, entre os quais a supressão de mais de 100 hectares de vegetação em estágios médio e avançado de regeneração do bioma Mata Atlântica, a realização de incêndio em mata ou floresta, guarda e depósito de carvão proveniente de floresta nativa sem a documentação ambiental autorizativa e uso de motosserra em florestas sem licença ou registro da autoridade competente.

O Poder Judiciário entendeu que o réu praticou as condutas previstas nos artigos 38-A caput, 41 caput, 46 parágrafo único e 51, todos da Lei n.º 9.606/98. Ele respondeu o processo preso, após a decretação da prisão provisória a pedido do MPMG.

A denúncia foi oferecida pela promotora de Justiça de Novo Cruzeiro, Roziana Gonçalves Camilo Lemos, em conjunto com o coordenador regional das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri, Felipe Faria de Oliveira.

Segundo Roziana Lemos, “essa condenação é extremamente representativa para a região. O réu, agora condenado, é apontado como o um dos principais articuladores de crimes contra a Mata Atlântica, recaindo sobre ele até mesmo a suspeita de prática de ameaças contra agentes de fiscalização de órgãos ambientais. Este é mais um exemplo de que crimes ambientais acarretam efetiva restrição de liberdade aos agentes delitivos, e não somente penas alternativas ou restritivas de direitos."

O estado de Minas Gerais, há cinco anos, lidera o ranking de desmatamento de Mata Atlântica, sendo que a região do Mucuri, onde se encontra a comarca de Novo Cruzeiro, é um dos locais mais críticos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Roupa suja da China aponta caminho a seguir para futuros vencedores entre os metais

 
Por David Stringer


(Bloomberg) - O afastamento da China de uma economia com base na indústria pesada tornou baixistas os mercados de todo tipo de produtos, do minério de ferro até o carvão. Também criou oportunidades para os minerais ignorados que alimentarão sua próxima fase de crescimento.
Entre esses materiais estão a bauxita - o minério utilizado na fabricação de alumínio - e o zinco, o cobre, o gás natural e o urânio utilizados para fabricar ou proporcionar energia aos milhões de máquinas de lavar roupa, aparelhos de ar condicionado e carros novos que os 1,4 bilhão de consumidores da China exigirão, segundo as previsões.

"Estamos observando uma transição", disse Michael Elliott, líder do setor na divisão de mineração mundial da Ernst Young LLP, em entrevista por telefone de Sydney. "Vamos ver que o alumínio terá um pequeno ressurgimento, o cobre certamente estará presente e provavelmente o zinco continue subindo".

A China já ultrapassou o Japão como o maior mercado de consumidores depois dos EUA, segundo a Euromonitor International. A empresa prevê que cerca de 90 por cento das famílias chinesas - 470 milhões - tenham uma renda anual disponível de US$ 15.000 ou mais para 2030, comparado com 133 milhões de famílias nos EUA.

A mudança é uma boa notícia para as companhias mineradoras que foram golpeadas pelo desmoronamento dos preços das commodities utilizadas em grande quantidade para fabricar o aço que impulsionou a fase mais recente de crescimento da China.

A Rio Tinto Group, a segunda maior companhia mineradora do mundo, desacelerará os gastos em minério de ferro e carvão, ao passo que aumentará os investimentos em cobre e bauxita a partir deste ano. A BHP Billiton Ltd. antevê que o consumo de eletricidade impulsione o crescimento da demanda por cobre na China e expandirá suas minas.

Eletrodomésticos

O país já representa cerca de metade das vendas mundiais de eletrodomésticos pequenos, de aspiradores de pó até aparelhos para a cozinha, segundo a Euromonitor.

Uma máquina de lavar roupa comum contém cerca de 7 quilos de alumínio e 2 quilos de cobre, o que coloca esses materiais no grupo de commodities em alta. Normalmente, os refrigeradores têm cerca de 7 quilos de cobre e 4 quilos de alumínio. Uma casa típica precisa de cerca de 125 quilos de cobre para a instalação elétrica, canos e outras ferragens.

Sem contar o declínio de 12 por cento sofrido no que vai deste ano pelo cobre por causa da preocupação com o crescimento mundial, projeta-se que o metal tenha um salto de 21 por cento, segundo a média de previsões de preços em 2015 compiladas pela Bloomberg. As importações de cobre da China quebraram um recorde em 2014, segundo dados alfandegários.

Prevê-se que neste ano o alumínio suba 16 por cento e o zinco, 13 por cento, conforme os prognósticos. Diferentemente, o Citigroup Inc. espera que o minério de ferro caia mais 15 por cento neste ano.

Investimento na Citic

A própria China já mostrou o caminho a seguir. Dois anos atrás, uma unidade da Citic Group Corp., o maior conglomerado do país, realizou um investimento que passou quase desapercebido na desconhecida companhia mineradora australiana Alumina Ltd..

A Citic não ignorava que a Alumina desempenha um papel fundamental no mercado do alumínio, de US$ 76 bilhões, e ao comprar a participação de quase 14 por cento na joint venture com a Alcoa Inc., a empresa obteve uma parte da maior produtora de bauxita e alumina do mundo, com operações em cinco continentes.

As casas chinesas utilizarão 800 milhões de aparelhos de ar condicionado em 2025, o dobro do que em 2013, estima a Rio. Esses aparelhos requererão cerca de 9,4 milhões de toneladas métricas de cobre, com base nos 23,6 quilos utilizados em uma unidade típica.

"A dependência" da China "de materiais importados aumentará, até mesmo na infraestrutura", disse Elliott da Ernst Young. "Cada mês que passa, a proporção de materiais importados no total de consumo aumenta. Essa dependência não vai mudar; de fato, vai crescer".

Título em inglês: 'China's Dirty Laundry Points Path to Next Metal Winners (1)'
Para entrar em contato com o repórter David Stringer, em Melbourne: dstringer3@bloomberg.net

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sindicato dos Metalúrgicos anuncia acordo com Novelis em assembleia




Publicado pela TV TOP Cultura em 12/01/2015
O Sindicato Metalúrgico de Ouro Preto e a Novelis chegaram a um acordo com relação à demissão dos funcionários da empresa. Confira como foi a assembleia realizada no sindicato nessa sexta-feira para tratar o assunto. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4JsSnq0qyg0

Mais informações (atualizado em 15/01/2015):


Parabéns aos metalúrgicos de Ouro Preto pela conquista! a união dos trabalhadores dando bons resultados!

Veja o acordo clicando AQUI (atualizado em 17/01/2015)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FEAM divulga inventário 2014 de áreas contaminadas de MG

Para quem ainda tem dúvidas sobre os passivos ambientais da produção de alumínio em Ouro Preto, aí estão as informações disponíveis em http://feam.br/images/stories/declaracoes_ambientais/GESTAO_AREAS_CONTAMINADAS/inventrio%20de%20reas%20contaminadas%20-%202014.pdf e também em http://feam.br/declaracoes-ambientais/gestao-de-areas-contaminadas

MUNICÍPIO: OURO PRETO
NOVELIS DO BRASIL LTDA - ATERRO DOMÉSTICO
Atividade: Indústria Metalúrgica
Endereço: Acesso estrada Ouro Preto/Ouro Branco, KM 521.
Coordenadas: X= -43.555899 | Y= -20.406823 | Datum: WGS84
Classificação: AMR - Área em Processo de Monitoramento para Reabilitação
Etapa de Gerenciamento: Monitoramento
Fonte de contaminação: Disposição de resíduos
Meios Impactados:Solo, Água Subterrânea
Contaminantes: Fluoreto, Cianeto


MUNICÍPIO: OURO PRETO
NOVELIS DO BRASIL LTDA - ATERRO INDUSTRIAL
Atividade: Indústria Metalúrgica
Endereço: Acesso estrada Ouro Preto/Ouro Branco, KM 521
Coordenadas: X= -43.557014 | Y= -20.408029 | Datum: WGS84
Classificação: AMR - Área em Processo de Monitoramento para Reabilitação
Etapa de Gerenciamento: Monitoramento
Fonte de contaminação: Disposição de resíduos
Meios Impactados: Solo, Água Subterrânea
Contaminantes: Fluoreto, Cianeto


MUNICÍPIO: OURO PRETO
NOVELIS DO BRASIL LTDA - GALPÃO DE BARCELOS
Atividade: Indústria Metalúrgica
Endereço: Estrada de Ouro Branco/Ouro Preto a 2 Km da BR 356
Coordenadas: X= -43.524452 | Y= -20.411881 | Datum: WGS84
Classificação: ACI - Área Contaminada sob Intervenção
Etapa de Gerenciamento: Intervenção/Remediação
Fonte de contaminação: Disposição de resíduos
Meios Impactados: Solo, Água Subterrânea
Contaminantes: Fluoreto, Cianeto


MUNICÍPIO: OURO PRETO
NOVELIS DO BRASIL LTDA - MORRO DO MINÉRIO
Atividade: Indústria Metalúrgica
Endereço: Acesso R. Geraldo Laércio - Tavares
Coordenadas: X= -43.516395 | Y= -20.407647 | Datum: WGS84
Classificação: ACI - Área Contaminada sob Intervenção
Etapa de Gerenciamento: Intervenção/Remediação
Fonte de contaminação: Disposição de resíduos
Meios Impactados: Solo, Água Subterrânea
Contaminantes: Fluoreto, Cianeto


MUNICÍPIO: OURO PRETO
NOVELIS DO BRASIL LTDA - PANIFICADORA
Atividade: Indústria Metalúrgica
Endereço: Rua José Barbosa da Silva, nº 100 - Bauxita
Coordenadas: X= -43.505841 | Y= -20.401629 | Datum: WGS84
Classificação: ACI - Área Contaminada sob Intervenção
Etapa de Gerenciamento: Intervenção/Remediação
Fonte de contaminação: Disposição de resíduos
Meios Impactados: Solo, Água Subterrânea
Contaminantes: Fluoreto, Cianeto
 
 
 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Atenção trabalhadores da Novelis Ouro Preto: Assembleia Geral hoje, sexta-feira, 09/01, às 17h!

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Julião convoca todos os trabalhadores da NOVELIS para uma Assembléia Geral Extraordinária.

Data – sexta-feira -09/01/2015
Horário – 17h
Em sua sede localizada na  Rua Professor Francisco Pignatário, nº 67, Bauxita, Ouro Preto-MG

Informação disponível em:  http://jornalvozativa.com/noticias/atencao-trabalhadores-da-novelis-assembleia-geral-hoje-sexta-feira-0901-as-17h/

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Prefeitura de Muniz Freire/ES pede exploração de bauxita em áreas do Caparaó

Matéria disponível no site da Web Ales, em: http://www.al.es.gov.br/portal/frmShowContent.aspx?i=27137 
Por: Titina Cardoso/Web Ales. Em 15/12/2014
Fotos de Nivaldo Jr. 

Debater a exploração de bauxita no município de Muniz Freire, na região do Caparaó, foi o objetivo de audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (15) pela Comissão de Infraestrutura. Os deputados receberam o prefeito do município, Paulo Fernando Mignone (PSB), que solicitou que a mineradora Curimbaba - empresa detentora da lavra para a exploração de bauxita no município – comece a exploração do mineral para gerar renda e emprego na região.

APInfraestrutura_15122014_PauloMignone_baixa_NivaldoJr.jpg APInfraestrutura_15122014_mesa3_baixa_NivaldoJr.jpg
O prefeito Paulo Mignone pediu para a empresa começar a exploração gerando renda e emprego na região

“No início do ano fomos procurados pelo contador da empresa com o pedido de uma anuência para a Curimbaba. Nós não assinamos, não concedemos, para exatamente provocar essa discussão. A pergunta vem desde 1988, quando a Curimbaba se instalou no nosso município. Isso vem se agravando com a cobrança das comunidades onde estão instaladas as reservas. Precisamos levar aos nossos munícipes uma resposta”, relatou Mignone. 

Muniz Freire possui uma reserva de bauxita localizada em uma área com mais de 94 mil hectares e com uma estimativa de produção de 13 mil toneladas/mês. Para o presidente da Comissão de Infraestrutura, deputado Marcelo Santos (PMDB), a não exploração da reserva tem impedido o crescimento do município. “A partir da exploração teremos desenvolvimento na região, com reflexos enormes na economia do Espírito Santo”, defendeu o parlamentar. 

Logística

APInfraestrutura_15122014_NeryRossi_baixa_NivaldoJr.jpgO Secretário de Estado de Desenvolvimento, Nery Rossi, foi um dos convidados para o debate. Ele destacou que as informações sobre a reserva estão “congeladas na secretaria”. Os últimos estudos foram em 2004. Para ele, um dos fatores que atrapalha a exploração do mineral na região é a logística de transporte. “Um processo de refino, de concentração da bauxita em alumina, poderia ser feito aqui ou em Minas Gerais, mas como transportar para um porto?”, questionou.

“A BR 262 continua igualzinha a 2004 e não suportaria a frota de caminhões para transportar a alumina. Tem que se avaliar algum tipo de logística rodoviária ou ferroviária. Se a região estivesse perto de uma ferrovia, seria ‘melzinho na chupeta’”, explicou. 

Explicação da empresa

Os representantes da Mineradora Curimbaba explicaram os motivos pelos quais a empresa não explora a reserva de bauxita no município. O geólogo e diretor de pesquisa da empresa, Mário Luiz de Andrade Uchoa, relatou que “apesar de o prefeito ter falado de 1988, a portaria de lavra é desde 2008”. 

APInfraestrutura_15122014_MarioLuiz_baixa_NivaldoJr.jpgEle também explicou que a bauxita encontrada em Muniz Freire tem em torno de 15% de quartzo. Essa composição não é adequada para a empresa, que não explora a bauxita para a produção de alumínio, mas para a indústria de refratários, abrasivos e para a indústria de petróleo.  

Uchoa explicou ainda que a topografia da região é muito agressiva. Outro impedimento é que a estimativa de produção na região ainda é baixa para que a empresa consiga um financiamento bancário para dar início à exploração. “Não somos tão grandes assim, não estamos nem entre as 500 maiores empresas do Brasil. Não queremos impedir o desenvolvimento do Estado de modo algum”, disse. 

Decisões 

O prefeito Paulo Mignone compreendeu os motivos da empresa, porém, destacou que a situação financeira de Muniz Freire é complicada. “Preocupa-nos muito a região do Caparaó, formada por 11 municípios. A região está morrendo. É uma época de queda de arrecadação, queda de receita, todo mundo tenta se agarrar em alguma coisa. É um município do interior muito carente”, relatou. Ele informou que vai se reunir com uma comissão de moradores interessada na exploração da bauxita para que eles possam se reunir com a diretoria na sede da Curimbaba em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais.  
Para o secretário Nery Rossi o encontro foi bastante esclarecedor. “A aproximação dos entes é fundamental. O que eu posso fazer nesse momento é colocar o Estado à disposição. O Estado, obviamente, não vai carregar o projeto, mas podemos ajudar. Embora a gente não tenha chegado a uma solução, talvez tenha sido uma das reuniões mais produtivas e esclarecedoras que eu tenha participado”, afirmou. 

O presidente da comissão, deputado Marcelo Santos, avaliou positivamente a audiência. “Foram dadas informações que não tínhamos e que agora serão socializadas com a população, como a expedição da lavra que foi em 2008 e achávamos que tinha sido antes. Estreitamos o relacionamento para podermos viabilizar uma parceria que culmine na exploração da bauxita”, afirmou. 

Por enquanto, a empresa vai colaborar com um projeto de tratamento de esgoto na área rural do município. “Foi uma condicionante do Iema (Instituto Estadual de Meio Ambiente) que a gente fizesse um projeto de esgotamento em duas vilas rurais”, explicou Uchoa. 

Bauxita

A bauxita é a principal fonte natural de alumínio e a maior parte de sua extração mundial é destinada à obtenção desse elemento, que é matéria-prima para a fabricação de inúmeros produtos usados no dia a dia, como panelas, esquadrias, latinhas, peças de automóveis e aviões, cabos elétricos, entre outros. O elemento também é utilizado para a indústria de abrasivos, refratários, cimento e produtos químicos, entre outros.