"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Postagens já feitas sobre passivos ambientais e danos às pessoas



Com o anúncio do encerramento da produção de alumínio pela Novelis em Saramenha, muitas pessoas me perguntam sobre os passivos ambientais, tanto aqueles mais evidentes, como os depósitos de rejeitos, como aqueles menos visíveis, como as doenças provocadas nos trabalhadores e nas populações vizinhas.

Para esclarecer um pouco, separei algumas postagens que fiz aqui no blog desde 2012:

- Área da panificadora: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Toxidade e acúmulo de flúor em hortaliças: CLIQUE AQUI E LEIA e também AQUI 

- Fluorose dentária em crianças: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Benzo cloro pireno: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Estudo sobre fragilidade do controle ambiental das fábricas de alumínio instaladas em Minas Gerais: CLIQUE AQUI E LEI

 - Resolução CONAMA nº. 436/2011: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Um estudo sobre o risco para as grávidas: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Artigo científico sobre a “insustentável leveza do alumínio”: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Monografias acadêmicas sobre o futuro de Saramenha: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Estudo indica que indústria do alumínio no Brasil prejudica saúde pública: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Alumínio – exposição humana e efeitos à saúde: CLIQUE AQUI E LEIA 

- Parecer Único SUPRAM CM nº. 313/2012, sobre o último licenciamento ambiental da Novelis em Ouro Preto. As áreas contaminadas estão descritas ao longo de todo o Parecer, em especial no item 4.5 às fls. 20/23: CLIQUE AQUI E LEIA

Assembleia de Minas fará reunião conjunta com a Câmara Municipal para tratar do fechamento da Novelis

Uma Audiência Pública será realizada na Câmara Municipal de Ouro Preto com a participação de Deputados da Assembleia do Estado de Minas Gerais para discutir o fechamento da empresa Novelis em Ouro Preto.

Anote aí: será no dia 05 de novembro de 2014, quarta-feira, às 14 horas no Plenário da Câmara na Praça Tiradentes.

Obs.: foto atualizada em 01/11/14

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A história do FIM. Ou ainda não?



Somos testemunhas de um visível e inegável declínio da fábrica de alumínio de Saramenha nos últimos anos.

Em matéria publicada no jornal “Hoje em Dia” de 26 de maio de 2013, o então diretor de operações da Novelis, afirmou que “Desde 1985, não há nenhum investimento em alumínio primário por nenhuma fábrica” (leia aqui).

O declínio da produção de alumínio aqui em Ouro Preto parece ter começado no início dos anos de 1990, quando uma onda de demissões varreu Saramenha. No ano de 1994, a Revista Veja publicou uma reportagem intitulada “Parece Desmanche” (leia aqui), cuja foto da apresentação era da nossa fábrica de alumínio. Em tal reportagem foi apontada a falta de investimentos, obsolescência de equipamentos e, ainda, o início, naquele ano, de uma estratégia da empresa Alcan para se desfazer da fábrica nos 15 anos seguintes, o que de fato ocorreu.

Os anos foram passando e a fábrica foi encolhendo e trocando de donos (leia aqui).

Uma grande baixa ocorreu em 2009, quando foi fechada a fábrica de alumina, ocasião em que foram anunciadas as demissões de cerca de 290 trabalhadores, entre próprios e terceirizados (leia aqui).

Logo depois uma nova legislação ambiental estabeleceu o prazo de validade para a produção de alumínio primário em Saramenha: até 2021. Tal norma impôs regras mais rígidas e que somente seriam alcançadas aqui com muito investimento (leia aqui)

Em abril de 2012 a Novelis sinalizou o seu desinteresse pela produção de alumínio primário ao desativar uma fábrica no Canadá (leia aqui).

No ano seguinte, em janeiro de 2013, mais de uma centena de demissões aconteceu em razão do fechamento da Redução II em Ouro Preto (leia aqui), cujo funcionamento fora condicionado pelo órgão de controle ambiental, a SUPRAM, a uma série de investimentos por parte da empresa (leia aqui). Entre investir e fechar, a segunda opção foi a escolhida. Naquele momento o nosso blog já cobrava uma postura mais clara sobre o futuro: a distorção de informações era visível (leia aqui).

Em janeiro de 2013 assistimos a divulgação truncada de que uma “nova” fábrica iria se instalar em Saramenha. Pouquíssimas informações foram divulgadas na imprensa local e nenhum projeto consistente foi apresentado à comunidade. Naquele momento falaram em “nova indústria”, mas tudo não passou da simples religação da fábrica de alumina desativada em 2009 pelo mesmo grupo empresarial dono da Novelis (leia aqui).

E o discurso sobre a criação de novos empregos foi colocado de modo a constranger os moradores vizinhos a se calarem. Foi como uma chantagem, do tipo “calem-se e suportem todo o inconveniente da produção nessa fábrica obsoleta, senão serão vocês os culpados pelo desemprego”.

Ora, uma coisa deve ser dita e repetida: o nosso blog nunca foi contra a fábrica, os empregos e a arrecadação de impostos, mas a favor que tudo isso ocorra dentro da mais absoluta legalidade, técnica e, sobretudo, respeito a nós, moradores vizinhos (leia aqui).

Mas o abandono de Saramenha já era visível (leia aqui). O abandono da fábrica também (leia aqui). E os problemas ambientais e trabalhistas foram se acumulando (leia aqui).

O mercado mundial de alumínio, por sua vez, foi mandando recados (leia aqui). Alguns muito diretos (leia aqui). Não foi sem razão que em abril de 2014 a própria Novelis sinalizou o fechamento da fábrica de Saramenha (leia aqui). Mas antes disso, obviamente, era preciso se desfazer daquilo que ainda possuía grande valor de mercado: a energia elétrica! E assim foi feito no início de 2014 com a venda das usinas hidrelétricas (leia aqui). O mesmo ocorreu com os ativos de mineração (leia aqui).

No início de 2014, diante de tantas evidências, o Sindicato dos Metalúrgicos denunciou o que estava por vir: o fechamento da Novelis em Ouro Preto (leia aqui).

Em outubro de 2014 o FIM foi anunciado (leia aqui).

E diante de toda essa história fica uma pergunta: o que foi feito pelas autoridades públicas para garantir aos trabalhadores e à população melhores condições socioambientais? Eu respondo: nada, infelizmente. 


 FIM??? não meus caros, ainda não. Estamos falando o fim da produção de alumínio, mas a empresa Novelis ainda tem muito o que fazer aqui em Ouro Preto. Além do apoio aos trabalhadores demitidos, ainda tem responsabilidades sobre os seus ativos e sobre as áreas contaminadas que exigem constante monitoramento ambiental, como o Marzagão, Morro do Minério, Barcelos, Lago do Azedo e Panificadora. E sobre isso ainda aguardamos uma manifestação oficial da empresa.

Vereadores recebem notificação sobre o fechamento da Novelis em 2014

Para ler a matéria diretamente no site do jornal O Liberal, CLIQUE AQUI.

"Na quinta-feira, dia 16 de outubro [2014], a Câmara de Ouro Preto foi notificada sobre o fechamento da Novelis. A empresa anuncia que encerrará sua operação de alumínio primário no Município até o final de 2014. No mesmo dia, os vereadores receberam o gerente de Processos e Tecnologia da fábrica de Ouro Preto, Márcio Guimarães “Spock”, e a gerente de Comunicação Externa da Novelis, Raquel Botinha. “Viemos anunciar a decisão da Novelis de dar continuidade somente ao negócio de folhas, chapas e reciclagem de alumínio na sua operação brasileira. Com essa decisão, a empresa vai encerrar as operações de alumínio primário em Ouro Preto até o final de 2014”, afirma Raquel. “São 350 funcionários hoje que a Novelis tem e eles serão diretamente impactados por essa notícia. Eles foram os primeiros a serem informados e a gente tem uma equipe de Assistência Social já à disposição para poder conversar com aqueles que precisarem de uma atenção mais próxima e mais precisa”, pontua Raquel. Segundo ela, o atendimento das assistentes sociais serão extensivos aos familiares dos funcionários. Os representantes da Novelis alegam que o cenário da indústria brasileira do alumínio aponta para uma produção cada vez mais decrescente. Os vereadores demonstraram preocupação com os funcionários atingidos pelo desemprego e com o passivo ambiental. Parte da estrutura onde a empresa mantém suas atividades permanecerá em funcionamento pela empresa Hindalco. A Novelis fechará as seguintes áreas: Redução III, Refusão, Oficinas, Fábrica de Pastas e Manutenção.

“Quando uma empresa vai se instalar no Município, há acordo com a prefeitura. Nós vamos pedir para rever esses contratos porque o Município de Ouro Preto supostamente cedeu terra para a Novelis, antiga Alcan”, afirma o presidente da Câmara Municipal, Léo Feijoada (PSDB). O parlamentar sugere, também, que haja uma compensação. “O Município deveria desapropriar essa área, construir casas habitacionais e até atrair novas empresas para se instalarem no local”, aponta o presidente da Câmara. A Novelis iniciará negociação com o sindicato da categoria para deliberarem as contrapartidas."

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Qual o futuro de Saramenha?

Neste momento em que se discute o futuro de Saramenha, trago à atualidade a seguinte postagem que fiz em 10 de março de 2014: http://www.operarioverde.blogspot.com.br/2014/03/monografias-recentemente-apresentadas.html

Refiro-me a monografia intitulada "Reintegração de área urbana: desafios e potencialidades da desativação industrial. Estudo de caso Novelis, Saramenha, Ouro Preto/MG", da aluna de arquitetura Ana Rocha, que pode ser lida no seguinte endereço: https://drive.google.com/file/d/0B0DbwjCkPZUaaDhyalYwVGlJTWc/edit?usp=sharing

No mesmo sentido, vale relembrar também outra postagem, que fiz em 14 de outubro de 2013: http://www.operarioverde.blogspot.com.br/2013/10/ha-sempre-muitas-opcoes-para-o-depois.html

Hindalco se reúne com vereadores em Ouro Preto

Deu na TOP Cultura:
https://www.youtube.com/watch?v=0zfqo9ZtAIw