"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Alumina Rondon, da Votorantim Metais, produzirá em 2019

Do Valor Econômico - Cadernos Especiais (16/12/15),  Por Simone Goldberg 

A cadeia de alumínio no Pará movimentou R$ 7,25 bilhões em 2014, o equivalente a 13,4% dos negócios do segmento no país. A atividade no Estado manteve 8,1 mil empregos diretos e 4,5 mil vagas indiretas. Só em compras de bens e serviços foi gasto R$1 bilhão pela cadeia setorial paraense no ano passado.

Os números constam do estudo que a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) realizou recentemente e podem ser reforçados com a conclusão de um dos maiores projetos previstos para o setor: o Alumina Rondon, da Votorantim Metais. Os investimentos somam cerca de RS 8 bilhões e contemplam uma mina de bauxita e uma refinaria de alumina no município de Rondon do Pará para produzir anualmente 9 milhões de toneladas de bauxita lavada e 3 milhões de toneladas de alumina.

As operações, segundo Carlos Gatti, gerente de saúde, segurança e meio ambiente, terão início em 2019, "caso o cenário mundial também sinalize as melhorias necessárias à segurança de investimento no projeto". O momento atual, de fato, não é bom, uma vez que a produção será exportada. Há excesso de oferta de alumínio no mundo, a produção chinesa vem subindo nos últimos anos, e os preços caíram.

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domingo, 3 de janeiro de 2016

Malásia pode suspender mineração de bauxita por preocupações ambientais

Com informações do site UOL e Agência de Notícias Reuters, em 02/01/2016. 
(Por Joseph Sipalan)


"KUALA LUMPUR (Reuters) - A Malásia pode suspender a mineração de bauxita devido a preocupações quanto ao impacto ambiental da atividade, disse uma fonte do governo do país neste sábado, em uma situação que ameaça interromper o fornecimento do insumo para a China.
A indústria largamente não regulada tem crescido rapidamente nos últimos dois anos para atender à demanda chinesa. A mineração de bauxita foi culpada por poluir as águas em um trecho da costa e em rios na região leste do país.
O governo quer interromper temporariamente a mineração de bauxita até a regulação, licenças e medidas de proteção ambiental serem colocadas em prática, disse a fonte à Reuters."
====>>>> essa notícia é boa para a Hindalco do Brasil, já que diminui a concorrência internacional, mas coloca em alerta toda a comunidade de Saramenha, vizinha à fábrica, bem como as comunicadas rio abaixo, todas diretamente atingidas pela mineração da bauxita aqui em Ouro Preto.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Juiz de plantão concede liminar de reintegração de posse em favor da Novelis


"(Confira, no final, mensagem do Dr William Santos, enviada pelo zap).
Reunião hj, quinta 31, 17h, na Ocupação Chico Rei, Ouro Preto MG.
Vamos, então, reforçar as estratégias.
Já está sendo feito contato com algumas autoridades que apóiam o movimento, com as quais temos contato.
Quem puder fazer com outras, é mto importante.
Lembrando q esta ocupação é em defesa de Ouro Preto. E não "só" de moradia para quem lá está. Área de expansão urbana.
Planejar, morar e preservar.
Há estratégias de curto, médio e longo prazo. Cassação da liminar. Negociação. Mesa de Diálogo criada pelo governador Pimentel. Desapropriação. Etc. Etc. Etc.
***
Segue mensagem do Dr William Santos.
A liminar deferida na ação de reintegração de posse trata se de decisão provisória.
Foi expedida por juiz plantonista. Este juiz só examina medidas urgentes.
O fórum está de recesso até dia 05 ou 07/01.
O prazo para contestar, entrar com ação de Agravo de instrumento (o adequado para tentar cassar a liminar) é junto ao TJ MG.
Por que os prazos estão suspensos, o prazo após a citação dis réus começa na juntada no processo das referidas citações. Acordo entre a OAB e TJ fez com que comece o prazo após dia 20/01.
Assim, citados os réus pelo oficial de justiça para ciência da decisão, o cumprimento da liminar não poderá acontecer, pois que na ida do oficial vocês receber as cópias do processo.
Mas faltarão mais cópias já que o processo deve ter ido nele as plantas, escrituras das áreas, etc.."

PRIMEIRO MANIFESTO OCUPAÇÃO CHICO REI - OURO PRETO MG


(As palavras do poeta Manuel Bandeira continuam atualíssimas. "Meus amigos, meus inimigos, salvemos Ouro Preto").
1 - Hoje, um dos principais desafios da cidade, elevada à condição de Vila em 11 de julho de 1711, é a questão da moradia/planejamento urbano/preservação do patrimônio histórico.
2 - Formada, basicamente, por um centro histórico cercado de montanhas constituídas em grande parte por áreas de elevado grau de risco, Ouro Preto possui poucas alternativas para se expandir.
3 - Diante da falta de planejamento por parte do poder público e com as terras menos acidentadas nas mãos de poucos, dentre eles a norte americana Novelis (sucessora da canadense Alcan), pertencente ao grupo indiano Aditya Birla, restaram ao povo da cidade as encostas para construir suas moradas.
4 - Vale registrar que o grande crescimento populacional de Ouro Preto, ocorrido nas décadas de 1950 e 1960, se deu exatamente em função da empresa que aqui se instalou em 1952, tendo fechado as portas no ano passado.
5 - Além do risco à integridade física e às vidas das pessoas (uma tragédia seguida da outra a cada temporada de chuvas), as ocupações das encostas causam grande impacto paisagístico.
6 - A falta de lugar adequado para se edificar, também pressionou a classe média, que mora no centro histórico, a fazer novas construções e adaptações irregulares, contribuindo para o processo de descaracterização do conjunto arquitetônico tombado pela UNESCO, em 1980, como Patrimônio Cultural da Humanidade.
7 - Devido à omissão e negligência de autoridades de Estado, o povo começou a se organizar em 2004, a fim de cobrar uma política de moradia e planejamento urbano.
8 - Tendo em vista o pouco caso dos governos locais, teve início uma série de ocupações organizadas de imóveis, a fim de intensificar a cobrança de atitudes.
9 - A partir do último Natal, cerca de 500 famílias (em sua maioria, moradoras em áreas de risco e sem casa) ocuparam um terreno de aproximadamente 15 hectares (um dos poucos de boa topografia que ainda restam), cuja vegetação é constituída exclusivamente de eucaliptos, localizado nas imediações da fábrica da Novelis (Grupo Aditya Birla) e que ela alega ser dela. (Apareça p conhecer de perto!)
10 - É voz corrente na cidade que, ao longo do tempo, a empresa teria recebido terras da Prefeitura como forma de incentivar a geração de empregos, além de, possivelmente, ter praticado grilagem.
11 - A gota d'água para o surgimento da ocupação, que ganhou o nome de Chico Rei, foi a junção de três fatos recentes: a metalúrgica está vendendo as terras, mesmo estando em curso uma investigação do Mistério Público para saber quem são os verdadeiros proprietários; os responsáveis pelo que ainda resta da metalúrgica em Ouro Preto se recusaram a conversar com integrantes do movimento de luta por moradia; o enorme passivo ambiental, formado inclusive por uma barragem de rejeito autamente tóxico (Barragem do Mazargão, que tem a soda cáustica como um dos componentes), colocando em risco as comunidades de vários bairros. (Tudo documentado).
12 - Reivindicamos basicamente três coisas: que sejam cessadas imediatamente as vendas das terras até a conclusão do inquérito pelo Ministério Público; que a Prefeitura desaproprie o imóvel para construção de um bairro, caso seja confirmado que a propriedade é da Novelis; que a metalúrgica discuta com o povo da cidade o que fazer com suas enormes instalações, a fim de gerar emprego e renda.
13 - Queremos um bairro modelo em termos de planejamento, podendo, para isso, serem feitas parcerias com a COHAB (Companhia de Habitação de Minas Gerais), com o programa Minha Casa Minha Vida, com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) - ambos com campus da cidade -, com os movimentos sociais de todo o País ligados ao tema, dentre outros.
14 - O lugar funcionará também como um cérebro para pensar moradia, planejamento urbano e preservação do patrimônio histórico de Ouro Preto.
15 - Há também o desejo de que ali funcionem oficinas para producão e transmissão de conhecimentos referentes a métodos construtivos alternativos e ambientalmente sustentados.
16 - As famílias estão conscientes de que os lotes estão sendo marcados simbolicamente e de que o local definitivo da moradia só será decidido após o planejamento do bairro (não sabemos ainda se serão casas ou prédios).
17 - É claro que numa situação dessa (ocupação envolvendo, diretamente, cerca de 500 pessoas) é muito provável que ocorram falhas, problemas, mas que serão enfrentados com muito diálogo, a fim de que não sejam cometidas injustiças.
18 - Agende uma visita, venha passar um tempinho com a gente, traga suas sugestões e tire outras dúvidas.
19 - Ajude-nos a divulgar este primeiro manifesto.
20 - As famílias da Ocupação Chico Rei agradecem sua atenção, pedem seu apoio e desejam a tod@s um "Feliz Ano Novo, que tudo de realize no ano que nasceu, com muita CASA pro povo, saúde pra dar e compartilhar".
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Apareça na nossa reunião. Nesta segunda, às 18h, no barracão da Ocupação Chico Rei.
***
Para entender melhor, não deixe de ler também o artigo contido no link a seguir, de autoria de professores da UFOP.


domingo, 27 de dezembro de 2015

Ato pela devolução das terras da Novelis


Informações da TV Top Cultura, de Ouro Preto/MG

Ocupação "Chico Rei" em terras da Novelis - Ouro Preto/MG

Cerca de 300 famílias estão em terreno da Novelis em Saramenha desde a noite do dia 25 de dezembro de 2015.

A siderúrgica Novelis, antiga Alcan Alumínio (dos canadenses) e cuja unidade em Ouro Preto fechou as portas recentemente, alega ser proprietária do imóvel.
Ao longo da sua existência, a empresa recebeu terras do município e do estado, como incentivo à geração de empregos. Teria que devolver, com o fechamento.
BARRAGEM DE REJEITO
É enorme o passivo ambiental deixado. Um deles é a barragem do Mazargão, na cabeceira do córrego Tripuí, afluente do ribeirão do Carmo, cujas águas correm para o rio Doce. Os rejeito da empresa é autamente tóxico. Contém, inclusive, grande quantidade de soda cáustica. As comunidades de vários bairros de Ouro Preto temem um rompimentos, há anos. O receio aumentou devido ao que aconteceu recentemente em Bento Rodrigues, distrito da vizinha Mariana, e com o possível abandono da Novelis devido ao encerramento de suas atividades.
PATRIMÔNIO HISTÓRICO
É voz corrente entre as famílias da ocupação, a preocupação com a preservação do patrimônio cultural, visto que em Ouro Preto é grande a incidência de áreas de elevado grau de risco, o que acaba estimulando as pessoas a construírem no Centro Histórico e, até mesmo, fazerem adaptações em duas casas tombadas, por falta de lugar seguro para construir.
ORGANIZAÇÃO
Segundo os coordenadores da ocupação, ali será construído um bairro muito bem planejado, segundo orientações técnicas. As famílias estão conscientes de que suas casas não serão construídas, necessariamente, nos lugares que elas marcaram seus lotes.
"Aqui será modelo de planejamento urbano e técnicas construtivas", disse um dos líderes do movimento. "Queremos a participação direta da UFOP [Universidade Federal de Ouro Preto], que tem cursos de arquitetura, engenharia civil, direito, geologia, engenharia ambiental, entre tantos outros que poderão colaborar com o conhecimento", completou."

Vídeo: https://www.facebook.com/nataliacristina.mateus/videos/vb.100005602033382/413530222177042/?type=2&theater


Foto: Associação Ouro Preto Moradia, Preservação e Cidadania


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Frente em Defesa de Ouro Preto e Região na luta por Saramenha

Extraído do facebook: 
"A pedido da Frente em Defesa de Ouro Preto e Região, foi encaminhado novo requerimento à Assembléia Legislativa para que cobrem do Estado e da Novelis um relatório ambiental completo das terras de Saramenha, para verificar prováveis danos ambientais e passivos a serem deixados para trás, dentro do nosso município e áreas circundantes.
Dado que a empresa decidiu encerrar as atividades, ela tem obrigação legal de apresentar relatório circunstanciado, paralelamente ao governo do Estado. Esse pedido é o segundo que fazemos (o primeiro foi em novembro de 2014), mas até agora, nada.
A Novelis e a SEMAD (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Ambiental) precisam cumprir essa exigência legal ou seremos forçados a recorrer à justiça para obrigá-las. A situação da Barragem de Marzagão já estava incluída desde 2014. Estamos acompanhando. Sem trégua."

domingo, 6 de dezembro de 2015

Deputados estaduais visitarão barragem do Marzagão

Matéria disponível em: http://www.paulolamac.com.br/2015/12/comissao-extraordinaria-investiga-possiveis-irregularidades-em-acordo-entre-mineradoras-na-tragedia-de-mariana/

Destaque para o seguinte trecho:

"O deputado Paulo Lamac teve dois requerimentos aprovados para a realização de reunião com a finalidade de tratar de assuntos relativos ao rompimento da Barragem de rejeitos do Complexo Minerário do Fundão; e para a realização de visita técnica à barragem de rejeitos do Marzagão, da Alcan Alumínio do Brasil S.A., em Ouro Preto (Central), e ao chamado “Lago de Lama”, que atingiria este patrimônio da humanidade em caso de rompimento". 

Comitiva indiana visita FIEMG

Matéria disponível em: http://www7.fiemg.com.br/noticias/detalhe/comitiva-indiana-visita-fiemg-e-visa-desenvolver-ambiente-de-negocios

Um trecho, porém, me chamou a atenção: 

"Durante o encontro, o diretor executivo da Hindalco, indústria do grupo indiano especializada na produção de hidratos e aluminas especiais sediada em Ouro Preto, Eli Murilo Araújo, criticou o atual quadro de concessão de licenças ambientais no estado. Para ele, a burocracia estatal vem travando vários investimentos para Minas Gerais. “Já investimos mais de R$ 30 milhões e temos a previsão de mais R$ 120 milhões. O problema é que o sistema legislador ambiental em Minas Gerais é caótico e nos impede de executar nosso planejamento”.

Ora, caro Eli, por onde você andou no último mês? será que toda a discussão acerca do licenciamento ambiental em Minas Gerais lhe passou despercebida? O problema não são leis, mas a falta compromisso das empresas, a ausência de fiscalização do poder público e o tímido controle social. Está aí a toda poderosa Samarco que não me deixa mentir. 

Aproveitando o momento, esse encontro com a FIEMG poderia ter servido para a Hindalco anunciar medidas de proteção às comunidades potencialmente afetadas pelo rompimento do Marzagão, que por ser uma barragem possui um risco inerente a esta condição, independentemente do que é feito para mantê-la intacta. 

An passant: circula na comunidade a notícia de que o grupo de técnicos e engenheiros contratado pela fábrica para elaboração de projetos de modernização foi demitido. Neste grupo, aliás, estavam profissionais de longa história em Saramenha, do tempo da antiga Alcan. Não há, ao que tudo indica, maiores pretensões dos indianos em Saramennha.