"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O que quer o Operário Verde?

Me perguntaram: o que você quer? fechar a fábrica? Respondi prontamente: NÃO!

Para muitos a luta contra a poluição da Novelis em Saramenha é vista como um embate extremo em que uma das partes obrigatoriamente deve sair perdendo, mas isso não é verdade.

A luta é para que a fábrica se modernize, invista em novas tecnologias e em soluções limpas, como filtros mais adequados à alumina maranhense, uso de gás natural na fabricação da pasta soderberg e substituição da atual torre de lavagem de gases por mais um dry scrubber. Assim, os efeitos para a comunidade serão imediatos e a fábrica ganhará melhores indicadores ambientais e financeiros.

Financeiros? sim, financeiros!

Todos os moradores de Saramenha recolhem diariamente em seus quintais uma boa quantidade de alumina, o pozinho que é o principal insumo da Novelis. Ora, será que é bom para a empresa jogar tanta quantidade de matéria prima sobre as casas dos vizinhos? Claro que não! é prejuízo na certa, por isso a poluição ambiental é ruim para todos.

A salvação da Novelis em Ouro Preto passa, obrigatoriamente, pela modernização da fábrica, mas isso não temos visto há tempos, infelizmente.

As últimas notícias dão conta de que a fábrica de laminados em Pindamonhangaba/SP vai parar de receber os lingotes de Ouro Preto a partir de dezembro de 2012, graças aos altos investimentos feitos pelo grupo Indalco na unidade paulista. Dizem que a Novelis vai produzir suas chapas com 85% de material oriundo de reciclagem e 15% de material importado.

Aliás, o nosso vizinho Paraguai está oferendo energia elétrica barata (de Itaipú) e incentivos fiscais que estão levando para aquele país as indústrias que consomem grandes quantidades de energia, como é o caso das siderúrgicas de gusa e alumínio.

Solução tem, mas a realidade está exposta e evidente.

E muitos ainda vão fingir surpresa...




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Negado à Novelis pedido de prorrogação de concessão de usina hidrelétrica

Luciana Collet, da Agência Estado
 
SÃO PAULO - O Ministério de Minas e Energia indeferiu o pedido de prorrogação do prazo de concessão da Usina Hidrelétrica de Jurumirim, pertencente à Novelis. A usina, que não chegou sequer a ser construída, está situada no Rio Ipiranga, no município de Guaraciaba (MG), e tem potência prevista de 48 megawatts (MW).

Conforme portaria publicada hoje do Diário Oficial da União (DOU), a usina foi outorgada em abril de 1978, e transferida para a Novelis em junho de 2005. O documento determina que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adote as providências necessárias para a extinção da concessão.

A Aneel já havia recomendado ao MME a negativa à prorrogação do prazo da concessão da hidrelétrica Jurumirim por observar que as obras não tinham sido iniciadas até a entrada em vigor da Lei nº 8.987, de 1995, o que, segundo a agência, ocasionou a impossibilidade de prorrogação. A Novelis chegou a fazer um pedido de reconsideração à Aneel, que também foi negado.

A Novelis possui um outro requerimento de prorrogação do prazo da concessão de usina em andamento, da Hidrelétrica Brecha, com 12,4 MW de potência instalada, localizada no mesmo rio Piranga. A concessão foi outorgada em 1948 e renovada em 1978 pelo prazo de 30 anos, que se expirou em 19 de abril de 2008. A usina fornece energia para a unidade da Novelis em Ouro Preto. A Aneel já encaminhou o requerimento para deliberação do MME, recomendando que a renovação pode ser concedida, pelo prazo de até vinte anos.

disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios+geral,negado-a-novelis-pedido-de-prorrogacao-de-concessao-de-usina-hidreletrica,100761,0.htm

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma imagem que diz tudo


Acho que essa imagem não precisa de legenda... é a comprovação do sofrimento dos moradores de Saramenha.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Onde reclamar? anote aí!

Para quem quer denunciar a poluição da Novelis:

1). Promotoria de Justiça de Ouro Preto – 4ªPJOP. Praça Reinaldo Alves de Brito nº.68, CEP 35.400-000 – Ouro Preto/MG. Lá já encontra-se instaurado o inquérito nº. 06/2006, basta fazer referência. 

2). Conselho Municipal do Meio Ambiente de Ouro Preto - CODEMA-OP. Rua Mecânico José Português nº. 240, São Cristóvão, CEP 35.400-000 – Ouro Preto/MG.

3). Superintendência Regional de Regularização Ambiental - SUPRAM Metropolitana - URC Rio das Velhas. Rua Espirito Santo nº. 495, Centro, CEP 30160-030 - Belo Horizonte/MG.

4).  Dra. Zani Cajueiro Tobias de Souza, DD. Procuradora da República em Minas Gerais - Ministério Público Federal. Av.Brasil, 1877, Funcionários, CEP 30.140-002 – Belo Horizonte/MG. Faça referência ao inquérito nº. 1.22.000003242/2011-01, que já está instaurado lá para apurar a poluição da Novelis.

5).  Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM). Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Rodovia Prefeito Américo Gianetti s/n. Bairro Serra Verde, Edifício Minas, 2º andar, CEP 30.630-900 – Belo Horizonte/MG

Para qual mandar? sugiro que mande para todos! 

Mais um inverno sujo em Ouro Preto

Como acontece em todos os invernos, época em que diminui a umidade do ar e aumenta a ocorrência do fenômeno da inversão térmica, os moradores de Ouro Preto, sobretudo os que são vizinhos da fábrica da Novelis, estão sofrendo (e muito) com o pó expelido pelas chaminés de Saramenha.

Todas as manhãs as ruas, pátios, calçadas, carros, telhados, enfim, tudo, fica sujo pelo pó. Os problemas respiratórios aumentam e forma-se fila na Santa Casa para nebulizações e atendimentos de sinusites, rinites e bronquites.

Da direção da fábrica a resposta é sempre a mesma: "estamos obedecendo os padrões impostos pela legislação". Ora, que a legislação é branda todos sabem, mas será que isso justifica o sofrimento da população?

Outro dia um turista passeando a noite pelo campus da UFOP disse: "como essa neblina de Ouro Preto é charmosa!". Prontamente respondi: "você já viu neblina com odor?". Após ouvir a minha explicação de que aquela neblina era, na verdade, uma nuvem de pó das chaminés da Novelis, o turista mostrou-se assustado e concluiu: "como vocês suportam isso?".

No centro histórico não é diferente. No Jardim Alvorada, Pilar, Rosário e Cabeças essa situação absurda é tão visível quanto na Vila Operária, Bauxita e Vila dos Engenheiros.

Qual é a solução? para essa pergunta esperamos uma resposta dos órgãos ambientais e de controle social. O que não dá mais é para fingir que o problema não existe. Investimento é fundamental. Controle rígido e eficaz também.


fotos de 11/07/2012, tiradas na Vila Operária



quinta-feira, 5 de julho de 2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012