"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

UM AVISO QUE VEM DO PARÁ

Fonte: “Ver-o-fato”: http://www.ver-o-fato.com.br/2018/02/alo-defesa-civil-barcarena-pede-socorro.html?m=1

sábado, 17 de fevereiro de 2018


ALÔ DEFESA CIVIL, BARCARENA PEDE SOCORRO: BACIAS DA HYDRO VAZARAM, DENUNCIAM MORADORES; EMPRESA ESCONDE A VERDADE


Não foi por falta de aviso e alerta às autoridades do Pará - governo do Estado, Defesa Civil e Ministério Público, tanto estadual quanto federal. As dezenas de ...comunidades do município de Barcarena vizinhas às bacias de rejeitos de alumina da multinacional norueguesa Norks Hydro, por meio do Ver-o-Fato, voltam a pedir socorro, temendo uma nova tragédia. Os fatos são gravíssimos.

Uma das bacias da empresa já apresentava vazamento desde a semana passada, agravado pelas fortes chuvas que têm caído na região, como publicado - inclusive com fotografias - pelo Ver-o-Fato. Na tentativa de ouvir o outro lado, como manda a regra do bom jornalismo, temos procurado contato com a Hydro para saber a versão dela, mas até agora não obtivemos sucesso. A Hydro se esconde atrás de seu poder econômico, que parece tudo inibir, comprar e calar, não atende e nem envia qualquer resposta.

Nesta manhã de sábado, os moradores quilombolas do Burajuba, uma das 60 comunidades impactadas pela poluição do ar e das águas causada pelos rejeitos da empresa, voltaram a acionar o Ver-o-Fato, detalhando novas ameaças, mais graves que as anteriores - autêntica tragédia anunciada que, apesar das denúncias, parece não sensibilizar autoridades com poder de evitá-la.

"O vazamento das bacias já contamina as comunidades, mas o pior é que os próprios funcionários da Hydro avisaram a gente, agora pela manhã, que se houver ou rompimento dessas bacias, nós, os moradores, teremos de sair às pressas de nossas casas, porque tudo ficará soterrado, sob escombros da lama vermelha", relatou a líder do Burajubae presidente da associação Cainquiama, Maria do Socorro Costa da Silva, que por denunciar sistematicamente os crimes ambientais e sociais na região têm sofrido perseguições e ameaças de morte.

Segundo dona Socorro e outros moradores, a Defesa Civil deveria se deslocar com urgência de Belém ou de Abaetetuba para tomar ciência do que está ocorrendo e orientar as famílias sobre como agir em caso de rompimento das barragens, que têm 30 metros de altura. "Eu apelo também ao procurador da República, Bruno Valente, para que venha aqui inspecionar as bacias, porque a Hydro está calada e nada diz sobre o risco que estamos sofrendo", acrescentou a líder quilombola.

A lama da morte

Vários moradores gravaram áudios e vídeos - veja acima, aqui no blogue - das ruas alagadas e do próprio rio Murucupi já invadido e contaminado pela lama vermelha das bacias da Hydro. "O ar aqui está irrespirável, a gente amanhece com falta de ar, passando mal", denuncia um deles. Na residência da senhora conhecida por dona Maria, bem próximo de uma das bacias, a situação é desesperadora. A enchente inundou a casa dela, trazendo a lama vermelha e seus produtos químicos devastadores para a saúde humana.

Na comunidade de dona Maria, a Bom Futuro, vizinha à Burajuba, a situação é de medo e alerta. Imagens mostram a enchente e a coloração vermelha da água, proveniente das comportas das bacias abertas pela Hydro para aliviar a pressão e tentar evitar o rompimento. Os sacos de cimento colocados em locais onde o vazamento foi identificado não foram suficientes para deter a saída da lama vermelha para fora de uma das bacias.

Mais e novas informações a qualquer momento.
Carlos Mendes
*BlogVerOFato*
https://youtu.be/k3JC36n05Qw


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