"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Novelis do Brasil amplia uso de reciclagem para diminuir dependência do alumínio primário


Em julho de 2011 saiu publicado em http://www.dgabc.com.br/News/5899378/novelis-ampliara-uso-de-aluminio-reciclado.aspx


"A Novelis, líder mundial em laminados e em reciclagem de alumínio, estabeleceu meta global agressiva para garantir a longo prazo a sustentabilidade de seus negócios. A empresa, que tem fábrica em Santo André, aumentará para 80% a quantidade de metal reciclado em suas operações de laminação até 2020. Atualmente, o metal reciclado corresponde a 34%, ou 1 milhão de toneladas, de toda a matéria-prima utilizada pela companhia no mundo todo.

O novo compromisso de sustentabilidade da companhia exige a intensificação do foco na expansão do uso desses materiais, aumentando a reciclagem pós-consumo de produtos de alumínio e acelerando o desenvolvimento de novas ligas com alto teor de materiais reutilizáveis.

Para isso, está realizando expansões importantes de sua capacidade de reciclagem e refusão ao redor do mundo. No continente americano, o investimento é da ordem de US$ 15 milhões no Brasil, com a ampliação da capacidade da área de reciclagem de Pindamonhangaba (SP) de 150 mil para 200 mil toneladas por ano, que já está em funcionamento. Na Alemanha, a Novelis está aumentando em 50 mil toneladas a capacidade de sua unidade de reciclagem e na Coréia do Sul a fábrica alcançará 220 mil toneladas em 2013.

Ao adotar essa estratégia, a companhia reduzirá sua dependência do alumínio primário. "Com maior uso do alumínio reciclado, teremos uma solução mais competitiva para nossos negócios", afirma Alexandre Almeida, presidente da Novelis América do Sul.

A Novelis também está acelerando pesquisas e o desenvolvimento de novos produtos para aplicações sustentáveis, ao mesmo tempo em que intensifica a parceria com seus clientes, tendo como objetivo a criação de ligas de alumínio que atendem suas necessidades de desempenho e sustentabilidade e permitam maior utilização do metal reciclado pós-consumo.

Além dos benefícios econômicos, essa ampliação traz benefícios ambientais significativos. "Esperamos remover dez milhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa por ano da cadeia de valor dos produtos de alumínio", conta Alexandre.

Atualmente a Novelis é líder mundial de reciclagem de latas de bebidas de alumínio, com cerca de 40 bilhões de unidades recicladas somente no ano passado. Com esse volume a empresa conseguiu reduzir em mais de 530 mil toneladas o uso do alumínio primário e evitou a emissão de cinco milhões de toneladas de gases de efeito estufa."


Resumindo: Alguém ainda tem dúvidas quanto ao futuro da fábrica de alumínio primário da Novelis em Saramenha? estamos ou não no "fim da feira" sofrendo com os "tomates podres"? perguntas que os ouropretanos não podem deixar de fazer, para depois não dizer que foram pegos de surpresa.

terça-feira, 27 de março de 2012

Dissertação de Mestrado sobre o tema

Dissertação de mestrado com vários aspectos comuns ao caso de Saramenha

TRT-BA julga abusiva despedida coletiva de 350 trabalhadores em Candeias

Extraído de: Portal Nacional do Direito do Trabalho  - 22 de Agosto de 2011

A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SEDC) do TRT5 julgou abusiva a despedida coletiva de cerca de 350 empregados da Novelis do Brasil Ltda., indústria do ramo de alumínio. Em dezembro do ano passado, a empresa encerrou as atividades da filial da fábrica no Centro Industrial de Aratu, município de Candeias, dispensando todos os trabalhadores.

A sessão foi conduzida, na tarde da última quinta-feira (18), pela presidente da SEDC e vice-presidente do TRT5, desembargadora Maria Adna Aguiar, que entendeu abusiva a forma como ocorreu a despedida, sem prévia negociação coletiva com o sindicato da categoria. O julgamento contou com as participações dos desembargadores Maria de Lourdes Linhares (relatora), Alcino Felizola (redator) e Nélia de Oliveira Neves. Também participou da sessão o representante do Ministério Público do Trabalho, o procurador regional Antônio Messias Bulcão.

Com o julgamento, a Seção declarou ineficaz a despedida em massa praticada, bem como os eventuais atos de homologação realizados. Com isso, os operários representados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Candeias e Região (Stim - Candeias e Região) terão direito a receber os salários e as vantagens legais e normativas de todo o período atingido pela decisão, a título de indenização e compensação.

Para entrar em vigor, as partes terão que aguardar a publicação do acórdão sobre a decisão tomada ontem pelo TRT baiano, que já se encontra no gabinete do redator designado, o desembargador Alcino Felizola. A Novelis do Brasil ainda pode recorrer da decisão perante o Tribunal Superior do Trabalho.

Durante a sessão, cerca de 100 operários da Novelis acompanharam o julgamento no auditório do Tribunal Pleno, em Nazaré (foto). Eles comemoraram, dentre outras conquistas, o deferimento da manutenção dos planos de saúde nas mesmas condições vigentes no curso do contrato.

NOVELIS - Líder mundial na produção e reciclagem de laminados de alumínio e reciclagem de latas de alumínio, a Novelis é uma subsidiária da Hindalco Industries Limited, um dos maiores produtores integrados de alumínio e líder na produção de cobre. A companhia opera em 11 países, com aproximadamente 11.600 empregados. No Brasil a Novelis possui fábricas em Ouro Preto, Minas Gerais, e em Santo André e Pindamonhagaba, em São Paulo.

(0000006-61.2011.5.05.0000 DC)

 

domingo, 25 de março de 2012

ALUMÍNIO: ÚTIL E MORTAL – Dr. Sérgio Teixeira

extraido de: http://celiosiqueira.blogspot.com.br/2012/02/panelas-de-alumino-sao-prejudiciais.html


Se seu cabelo está caindo, desconfie do alumínio…


Este metal, quando está excessivo no organismo, provoca grande oleosidade no couro cabeludo, que vai sufocar a raiz dos cabelos. Usar xampus contra a oleosidade ajuda, mas se você não eliminar a causa, vai perder muito cabelo. 

Muitas vezes, a queda de cabelos vem acompanhada de dormências ou formigamentos quando se fica na mesma posição (com as pernas cruzadas, por exemplo).Além dos seus cabelos, todo o seu organismo está sendo prejudicado: o alumínio deposita-se no cérebro, causando o mal de Alzheimer (esclerose mental precoce) e expulsa o cálcio dos ossos, produzindo a osteoporose. 

Esse cálcio vai se depositar em outros lugares, produzindo bursite, tártaro nos dentes, bico de papagaio, cálculos renais… E também vai para dentro das suas artérias, estimulando a pressão alta e possibilidade de isquemias cardíacas (infarto), cerebrais (trombose) e genitais (frigidez e impotência). Para o Dr. Mauro Tarandach, da Sociedade Brasileira de Pediatria, está bem claro o papel do alumínio nas doenças da infância, graças ao avanço da biologia molecular no que tange ao papel dos oligoelementos na fisiologia e na patologia. 

Os sintomas clínicos da intoxicação por alumínio nas crianças, além da hiperatividade e da indisciplina, são muitos: anemia microcítica hipocrômica refratária ao tratamento com ferro, alterações ósseas e renais, anorexia e até psicoses, o que se agrava com a continuidade da intoxicação. Atualmente se utiliza a biorressonância para avaliar o nível do alumínio e outros metais. O método é muito menos dispendioso, podendo ser utilizado no consultório ou na casa do paciente. 


E como é que o alumínio entra no organismo?
 Através das panelas de alumínio, por exemplo, que vêm sendo proibidas em muitos países do mundo

Na Itália, famosa por seus restaurantes, nenhum deles pode usar essas panelas, devido à proibição do governo italiano. É que as panelas de alumínio contaminam a comida intensamente.
Para você ter uma idéia: pesquisa da Universidade do Paraná demonstrou que as panelas vendidas no Brasil deixam resíduos de alumínio nos alimentos que vão de 700 a 1.400 vezes acima do permitido. Isso só ao preparar a comida. 
Se esta ficar guardada na panela por algumas horas, ou de um dia para o outro, este valor pode triplicar ou quintuplicar.Viu por que vale a pena trocar de panelas? Mas não é só. Sabe as latinhas de refrigerantes e cervejas, hoje tão difundidas no Brasil?

Pesquisa do Departamento de Química da PUC demonstrou que elas não são fabricadas de acordo com os padrões internacionais. Em conseqüência, seu refrigerante predileto pode conter quase 600 vezes mais de alumínio do que se estivesse na garrafa. E além do alumínio foram demonstrados pelo mesmo estudo mais 12 outros metais altamente perigosos para a saúde nessas latinhas, como o manganês, que causa o mal de Parkinson, o cádmio, que causa psicoses, o chumbo, encontrado no organismo de muitos assassinos, e outros.

Que tal? Prefira as garrafas, tá?
Descoberto em 1809, o alumínio é um metal muito leve (só é mais pesado do que o magnésio) e já é muito caro. Naquela época, Napoleão III, imperador da França,pagou 150 mil libras esterlinas (mais ou menos 300 mil reais) por um jogo de talheres de alumínio. 
Esse metal tem espantosa versatilidade, sendo utilizado em muitas ligas metálicas.

Depois do aço, é o metal mais usado no mundo, seja em panelas, embalagens aluminizadas, latas de refrigerantes e cervejas, antiácidos edesodorantes antitranspirantes, assim como vasilhames para cães e gatos comerem e beberem. Nestes animais, com o tempo, pode causar paralisia dos membros posteriores que leva ao sacrifício precoce dos animais, na maioria das vezes, os veterinários, por falta de exames dizem que o animal está muito velho.

 MANIFESTAÇÃO DA ABAL SOBRE O ARTIGO: http://www.abal.org.br/aluminio-util-e-mortal/  - inserido em 11/12/2012


sexta-feira, 23 de março de 2012

Revisão das normas que regulam as fábricas de alumínio

Encontra-se em processo de revisão pelo COPAM - Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais, a Deliberação Normativa nº 11, de 16/12/86, que estabelece normas e padrões para emissões de poluentes na atmosfera. Através da Resolução SEMAD nº 1.499, de 25/01/12, foi criado Grupo Multidisciplinar de Trabalho, para a discussão de propostas de atualização e complementação da DN 11.

Como era de se esperar, ninguém comenta o assunto e a população da cidade é ignorada neste processo. Por sua vez, os empresários, representados pela FIEMG, querem o abrandamento da norma e longos prazos para adequação. 

Onde estão os nossos representantes?

Toxicidade e acúmulo de flúor em hortaliças


Seguem abaixo colagens do artigo "Toxicidade e acúmulo de flúor em hortaliças nas adjacências de uma fábrica de alumínio", publicado em 2010 em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-33062010000400010&script=sci_arttext

“No Brasil, a cidade de Ouro Preto, localizada a sudeste da zona mais povoada e industrializada do Estado de Minas Gerais, denominada Zona Metalúrgica (Divan Junior et al. 2007), está sujeita aos impactos do flúor, oriundos de uma fábrica de alumínio, conforme resultados obtidos por meio de experimentos de biomonitoramento com plantas”

“Considerando a presença de hortas em residências de vilas situadas nas adjacências de uma fonte emissora de poluentes objetivou-se: avaliar o potencial acumulador de flúor em espécies de hortaliças utilizadas pelos moradores da região; avaliar a fitotoxidade causada pelos poluentes  nas espécies estudadas, a partir da associação de parâmetros macro e microscópicos e, determinar a percentagem de flúor removida pela lavagem das folhas com água. Testaram-se as seguintes hipóteses: hortaliças expostas a fontes emissoras de flúor acumulam o poluente e a lavagem das folhas antes do consumo não promove a remoção do poluente para quantidades aconselháveis a sua ingestão.”

“As folhas das plantas expostas na AP, apesar de aparentemente sadias, apresentaram danos estruturais em todas as espécies de hortaliças estudadas”

Concluindo:

“Diante dos resultados, recomenda-se, que as hortaliças estudadas sejam cultivadas o mais distante possível de fontes emissoras de flúor por apresentarem, mesmo após a lavagem das folhas em água, concentrações superiores a 1 μg g-1 de flúor, ao valor recomendado pelas autoridades sanitárias como apropriado para o consumo.”

quinta-feira, 22 de março de 2012

Proximidade entre a fábrica e a cidade


A Lei Complementar Municipal nº. 30/2006, que trata do uso e ocupação dos solos de Ouro Preto, faz exigências em seus artigos 58 e sgs. para a instalação e manutenção de indústrias de grande porte na cidade de Ouro Preto. Dentre elas destacam-se o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (RIMA).

No caso da fábrica de alumínio da Novelis, os bairros Vila Operária, Vila dos Engenheiros, Tavares, Maria Soares e Saramenha de Cima são limítrofes à fábrica. Assim, é preciso que os moradores destes bairros tomem pleno conhecimento da existência ou não de tais documentos, bem como o seu inteiro teor. 

Apesar de requerido e reiterado ao Prefeito Municipal, o EIV e o RIMA da Novelis nunca foram vistos...

Aliás, o impacto da produção do alumínio na fábrica da Novelis em Saramenha afeta toda a cidade, razão pela qual o controle estabelecido pela referida Lei Complementar deveria ser debatido amplamente na Câmara Municipal.

A relação entre a Novelis e a comunidade local torna-se cada vez mais difícil, na medida em que a dependência econômica do município para com a fábrica diminui e a poluição aumenta a cada dia. Trata-se de uma situação que deve ser enfrentada com racionalidade e respeito, mas sem ultrapassar os limites do humanamente possível.

Pedras cantadas? matérias da revista Veja




Fotos do pó




Transferência de passivo ambiental

Recentemente, em 14 de julho de 2011, a Prefeitura Municipal de Ouro Preto, ávida por uma enorme área existente nas proximidades do bairro Bauxita, região de grande valor econômico, aceitou da Novelis a cessão de um aterro químico desativado. Tal área foi utilizada pela antiga Alcan como depósito de escórias do processo de produção do alumínio e até hoje requer constante monitoramente. Com tal atitude generosa, a fábrica de alumínio conseguiu iniciar a transferência do seu passivo ambiental para a Prefeitura Municipal. Tudo, mais uma vez, sem debates público.

 
OBS.: Segundo informações prestadas pela diretoria da Novelis, por meio de Notificação Judicial nos autos do processo 02412.244.551-3 (TJMG/BH):

 "o Município de Ouro Preto assinou um contrato de comodato com a Novelis, pelo prazo de 05 (cinco) anos, referente ao imóvel localizado às margens da Rodovia MG-262, na Rua José Barbosa da Silva, s/nº., Bairro Bauxita, 'para fim exclusivo do Município nele manter estacionamento de veículos de seu uso exclusivo, bem como armazenar maquinas utilizadas pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos de Ouro Preto'". Mais ainda, "o Município tem ciência de que o imóvel possui utilização restrita, em razão da existência de passivo ambiental - agua contaminada no subsolo - que, todavia, atualmente encontra-se controlado de acordo com as exigências definidas pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), através do processo de 'osmose reversa', pelo qual a água localizada no subsolo é tratada e transportada para a utilização na unidade industrial da empresa em Ouro Preto".

Exaustão e descaso


A exaustão física e tecnológica da fábrica de alumínio da Novelis em Ouro Preto pode ser suscitada face à aparência ruim das suas instalações. Ademais, há anos não se houve falar em inovações tecnológicas, modernização e investimentos. No máximo, são divulgadas informações sobre gastos com manutenção e com tentativas mirabolantes e quase sempre inócuas para tentar minimizar os impactos ambientais.

Recentemente a empresa divulgou que estaria realizando uma grande contratação de funcionários, dando à comunidade a falsa ideia de crescimento. Porém, na verdade, tais contratações ocorreram por determinação da Justiça do Trabalho em substituição a terceirização irregular verificada em autos de ação trabalhista[1] 

A Vara do Trabalho de Ouro Preto condenou a empresa ao pagamento de indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos em processo em que foram apontadas irregularidades relativas à saúde, higiene, segurança do trabalho, terceirização ilícita, entre outras [


Tal deterioração da estrutura física e das relações de trabalho suscitou, inclusive, questionamento na Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais por meio do requerimento de n°. 1.110/2011, motivado pela preocupação sobre a possibilidade de encerramento das operações da empresa Novelis em Ouro Preto, mencionada por sindicalistas em audiência pública realizada naquela casa legislativa em 23 de maio deste ano. Além das questões trabalhistas, foi suscitado o abandono do passivo ambiental. 


Infelizmente a casa legislativa do Município de Ouro Preto prefere ignorar o problema. O medo de demissões de algumas dezenas faz com que algumas dezenas de milhares sofram com a poluição e o descaso. É um pacto de mediocridade em nome do bem-estar econômico.  A saúde e o meio ambiente, novamente, ficam em segundo plano.

Destaca-se que as comunidades da Vila Operária, Tavares, Bauxita, Vila dos Engenheiros e adjacências nunca foram convocadas para audiências públicas quando dos processos de renovação do licenciamento ambiental da fábrica.

OBS.: Segundo informações prestadas pela diretoria da Novelis, por meio de Notificação Judicial nos autos do processo 02412.244.551-3 (TJMG/BH), "vários investimentos foram feitos na área operacional, com o objetivo de melhorar a eficiência do processo produtivo. Apenas nos últimos anos, foram aportados mais de 35 (trinta e cinco) milhões de dólares nesses processos industriais, sendo tais informações públicas e detalhadas nos Relatórios de Avaliação de Desempenho Ambiental - RADA - protocolados nos órgãos integrantes do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SISEMA/MG"




foto: De Laia

A história da fábrica de Saramenha


As primeiras referências sobre a bauxita no Brasil estão nos Anais de 1928 da Escola de Minas de Ouro Preto, atual Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto. Naquela época ocorreram duas iniciativas concorrentes para implantar a produção de alumínio: a da Elquisa - Eletro Química Brasileira S/A de Ouro Preto e a da CBA - Companhia Brasileira de Alumínio de Mairinque (SP). Tais registros apontam que nesse período os primeiros quilos de alumínio primário foram produzidos no Brasil graças à perseverança de alguns empresários pioneiros, porém insuficientes para atender à demanda[1].

A Elquisa de Ouro Preto teve dificuldades de comercialização devido ao excesso de produção mundial de alumínio. Apenas em 1938, com o apoio do governo Vargas, começou em definitivo a produção do metal em Ouro Preto. Porém, sua primeira utilização para a produção de alumina e alumínio no País, em escala industrial, aconteceu em 1944, durante a 2ª Grande Guerra Mundial, consolidando a indústria no Brasil. Tal iniciativa partiu do grande empreendedor Américo Giannetti, que deu início à promissora história de uma indústria que, até o final da década de 1980, apresentaria uma evolução impressionante.

Em junho de 1950, a Elquisa foi adquirida pela Aluminium Limited do Canadá (Alcan), tornando-se assim a primeira empresa multinacional a participar do mercado brasileiro, produzindo não só o alumínio primário, como produtos transformados de alumínio.

A Alcan, que viveu momentos de forte crescimento e lucratividade em Ouro Preto, começou a sofrer no final da década de 1980 os efeitos da falta de investimentos e da concorrência mundial, agravada ainda com a abertura do mercado interno no início da década de 1990. No ano de 1994 a Revista Veja, em sua edição de 06 de abril, chegou a publicar reportagem sobre o sucateamento da fábrica da Alcan em Ouro Preto, bem como as dificuldades da empresa no país, que iniciava naquela ocasião, segundo a reportagem, um processo de “desmanche” e retirada do Brasil.

Em 2005, após uma década de baixos investimentos, demissões e inúmeros problemas ambientais (confirmando o “desmanche” anunciado pela revista Veja em 1994), a Alcan criou a marca Novelis, uma nova empresa então subsidiária que ficaria responsável pelas operações de produção de alumínio primário no país.

Em 2007, a Novelis foi adquirida pela Hindalco Industries Limited, outra empresa mundial no negócio de alumínio. Enfim, a Alcan ficou livre do problema. A Hindalco é a empresa líder do Aditya Birla Group, um conglomerado multinacional com sede em Bombaim, na Índia[2]. Após a fusão, a Novelis se tornou uma subsidiária integral do Aditya Birla Group, uma empresa sem passado no Brasil.

Em março de 2009, face, aparentemente, às dificuldades logísticas com a bauxita, haja vista a distância das minas, a Novelis encerrou a produção de alumina (matéria prima do alumínio) em Ouro Preto, passando a trazê-la pronta de outras fábricas.

Em dezembro de 2010 a Novelis fechou a fábrica de Aratu, na Bahia, que era semelhante (características técnicas) a de Ouro Preto[3].