"a questão ambiental deve ser trabalhada não como resultante de um relacionamento entre homens e a natureza, mas como uma faceta das relações entre os homens, isto é, como um objeto econômico, político e cultural". (MORAES, 2002)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

13/02/2025: noite fétida

Ontem a noite a fumaça fedorenta da ACTECH estava demais! cobriu a Vila Operária, como sempre, e se estendeu ao Campus da UFOP e à Praçinha da Bauxita. O forte cheiro típico da fábrica, com traços de soda cáustica, irritou olhos e narizes, além do óbvio incomodo. É esse o bem-estar proporcionado pelo empreendimento aos seus vizinhos?



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Actech sinaliza expansão: mas cadê o licenciamento ambiental? e a conversa com a comunidade?

Saiu publicado no Diário Oficial de MG no dia 28/01/2025 um extrato de protocolo de intenções entre a Invest Minas (https://investminas.mg.gov.br/) e a empresa Actech. 

Do que se trata, não sabemos, mas chama a atenção o Governo de Minas Gerais sinalizar apoio à expansão de uma fábrica que não tem licenciamento ambiental regular desde 2021; que está desde então se escorando em TACs e Ofícios esquisitos da SEMAD para justificar o seu funcionamento. 

Mais uma vez falta transparência! tanto do Governo de Minas, quanto da própria empresa, que jamais apresentou proposta de expansão à comunidade vizinha. 

Quem viver verá? mais uma vez...

domingo, 5 de janeiro de 2025

Registros de 17/12/2024 - o pó nunca acaba

 




Fotos tiradas em 17/12/2024 na Rua José Carlos Gomes, na Vila Operária, comprovam a emissão de alumina, mesmo no verão. Autor das fotos: André Lana.




terça-feira, 17 de setembro de 2024

Entrevista com o CEO da Actech

 Atualizado em 18/02/2025 com a inserção das transcrições. 


Momentos que merecem destaque: 

9'30" - oportunidade de comprar a fábrica: “[...] acabamos encontrando, nos deparando, com essa operação industrial que, como você bem colocou, padecia de muitos desafios ambientais, financeiros etc. [...]”

21'40" - tragédia indiana: “[...] a empresa, ela vinha, ela foi de uma empresa que os indianos, né, o grupo indiano assumiu em 2012, né, então de 2012 até 2021 ela deu muito prejuízo, né, ela tem prejuízos registrados no seu balanço e isso fez com que ela não pudesse, por exemplo, destinar resíduos, empreender ações na comunidade, trazer benefícios pros funcionários, então o corpo de pessoal era muito desanimado, eles saíam, todo mundo sabia que ia fechar, existia claramente, assim, uma decisão dos controladores de fechar aquela unidade porque ela dava prejuízo e ela tinha muito passivo ambiental à época [...]”

23'40" - elevado risco químico: “[...] a empresa, ela vinha, ela foi de uma empresa que os indianos, né, o grupo indiano assumiu em 2012, né, então de 2012 até 2021 ela deu muito prejuízo, né, ela tem prejuízos registrados no seu balanço e isso fez com que ela não pudesse, por exemplo, destinar resíduos, empreender ações na comunidade, trazer benefícios pros funcionários, então o corpo de pessoal era muito desanimado, eles saíam, todo mundo sabia que ia fechar, existia claramente, assim, uma decisão dos controladores de fechar aquela unidade porque ela dava prejuízo e ela tinha muito passivo ambiental à época [...]”

33'25" - depois de um ano, muitos problemas ambientais e sociais na fábrica: [...] tinha a empresa, a base em Ouro Preto era uma base exportadora do grupo indiano, pra Argentina e pra América do Norte; quando a gente adquiriu a planta tinha um ano de no compete no contrato, ao final de um ano a gente tinha tanto problema para resolver, ambiental, social que nós não conseguimos olhar pra isso, então acabamos perdendo esse mercado completamente, ficamos de fora da Argentina, ficamos de fora dos Estadis Unidos [...]

34'35" - reconhecimento de ausência de licenciamento ambiental: [...] quando você compra uma planta desse tamanho, né, em tão pouco tempo, né, a gente teve muito pouco tempo, foi uma aquisição, é uma planta, hoje são duas minerações ativas, uma barragem inativa, diversos imóveis, diversos liabilities, né, diversos problemas, né, diversos potenciais problemas, a gente na época não tinha licença ambiental e tal, então esse grupo teve que trabalhar nos detalhes [...]

 44'20" - liberdade de expressão total (não reclame do blog!)

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Fog londrino ou poluição descontrolada?

E assim amanheceu o dia 22/07/2024: com "neblina" cheirando a soda cáustica! Uma infeliz rotina na vida dos moradores de Saramenha que nenhuma autoridade consegue enxergar. Dizem que faltam provas técnicas do abuso cometido pela fétida fábrica da ACTECH...



sexta-feira, 5 de julho de 2024

O sistema favorece o erro e o meio ambiente não é prioridade

Na minha vida já são quase 18 anos de vizinhança com a fábrica e 12 anos de registros neste blog. A cada ano desde então sou vítima de uma chuva de pó branco, odores e barulhos. Em casa há um arsenal de soro fisiológico, pastilhas para garganta e colírios. Nos meus pulmões nem arrisco pensar o que está acumulado! 

Além da saúde física, as agressões são psíquicas: já sofri ameaças no trabalho, intimidações a amigos e parentes, lawfare, críticas públicas de funcionários da fábrica que nem conheço, subjugação por autoridades...

Pior ainda: já tive reuniões com meia dúzia de promotores de justiça, técnicos de meio ambiente, vereadores e outras autoridades que nunca conseguiram passar da superficialidade do auto monitoramento ambiental da fábrica. Já estou cansado de repetir sempre a mesma história a cada novo sujeito que aparece nesses cargos. Na verdade, aqueles que deveriam fiscalizar e acompanhar rigorosamente o funcionamento da fábrica geralmente se voltam contra mim, num claro movimento de tentar resolver o problema eliminando quem o denuncia.

Fato é que todo o sistema de proteção ao meio ambiente no país é desenhado para favorecer o poluidor e constranger a vítima da poluição. As leis são pífias, a impunidade é gigante, o poder econômico se sobrepõe e a má vontade do poder público para o enfrentamento é nítida. Há ainda o medo da comunidade relacionado a perda de empregos (no caso específico são subempregos) e uma completa e sistêmica letargia e ineficiência dos mecanismos constitucionais de proteção à sociedade. 

Tenho certeza: estou contra o sistema! há um preço por isso, mas não me importo. Confesso ter pouca esperança de ver a fábrica de Saramenha modernizada, funcionando em harmonia com a comunidade e fazendo pelo meio ambiente mais do que a nossa pobre legislação lhe obriga. Mesmo assim continuarei registrando aqui neste blog todo infortúnio que vivemos na Vila Operária. Se não servir para mudar a realidade, servirá como registro histórico para as gerações futuras.